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Riscos que acompanham o uso de esteroides anabolizantes – 29/05/2026 – Músculo

Derivados da testosterona, o principal hormônio sexual masculino, os esteroides anabolizantes (EAs) são medicamentos que promovem o crescimento celular e o desenvolvimento de tecidos no organismo. Embora essa categoria tenha diversas aplicações médicas, seu uso para fins estéticos ou performaticos é, além de arriscado para a saúde do usuário, proibido no Brasil.

Elaborado por ao menos cinco profissionais e publicado em 2014, o estudo “The global epidemiology of anabolic-androgenic steroid use: a meta-analysis and meta-regression analysis” (equivalente a “A epidemiologia global do uso de esteroides anabólicos androgênicos: uma metanálise e análise de metarregressão” em tradução livre para o português), disponível na revista científica “Annals of Epidemiology”, aponta que aproximadamente 3,3% da população mundial utiliza EAs.

Mesmo com orientação profissional, o uso dessas substâncias –também chamadas de bomba ou suco dentro do meio fitness– pode acarretar diversos efeitos adversos, como aumento da irritabilidade, da oleosidade da pele, da pressão arterial e do risco cardíaco.

Em entrevista à coluna, o médico Vinícius Amaral explica os riscos que a utilização dessa classe de medicamentos sem a necessidade clínica pode gerar: “A curto prazo, a gente tem a acne, a retenção de líquidos, a alteração de humor e o aumento da pressão arterial. Muitos ficam mais irritados e têm mais dificuldade para dormir. O sangue fica mais viscoso, uma vez que o hematócrito aumenta. Também há alterações no colesterol –enquanto o chamado ‘colesterol bom’ (HDL) cai, o ‘colesterol ruim’ (LDL) aumenta–, o que é um perigo para o sistema cardiovascular”.

“A longo prazo, há um aumento nos riscos de infarto e de AVC. Isso ocorre pelo entupimento dos vasos sanguíneos. Há a hipertrofia cardíaca, que pode levar a uma insuficiência cardíaca –o coração fica maior e, consequentemente, tem mais dificuldade para bombear o sangue. Temos, também, a supressão da produção natural de testosterona e a atrofia testicular –o que pode fazer o usuário a ficar infértil”, completa o profissional da saúde.

Amaral também aponta que há possíveis efeitos adversos observados por homens e mulheres. “Dentre os homens, é possível desenvolver ginecomastia e disfunção erétil (…) Já as mulheres podem observar engrossamento da voz, aumento na quantidade de pelos corporais, irregularidades na menstruação e ampliação do clitóris”, destaca.

Apesar da presença de efeitos colaterais ser multifatorial, pessoas que não têm propensão a desenvolver nenhum dos problemas citados também podem ser acometidas por eles, conforme cita a médica Gabriella Criscuolo Mukics: “Em protocolos de altas doses e associação de múltiplas drogas, o risco cardiovascular aumenta muito, inclusive em pacientes jovens previamente saudáveis”.

Por fim, Gabriella lembra que os EAs também podem contribuir com o desenvolvimento de problemas psicológicos, como por exemplo depressão, ansiedade ou até mesmo dependência dessas substâncias.


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