O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes à espera de germinar. É o que indica o trabalho de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
Na prática, é como se as sementes sentissem ou ouvissem a chuva por meio das vibrações que ela produz. Os cientistas descobriram que algumas delas germinam, inclusive, mais rapidamente.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores do MIT realizaram testes com sementes de arroz. Eles descobriram que as vibrações acústicas das gotas de chuva tiraram as sementes do estado de dormência e fizeram com que brotassem mais cedo do que ocorreria em outras condições.
Os resultados foram publicados no dia 22 do mês passado na revista científica Scientific Reports, oferecendo a primeira evidência direta de que sementes podem perceber sons e agir com base neles.
Como ‘motor de jato no ar’
Os pesquisadores expuseram milhares de sementes de arroz a gotas de água controladas, simulando chuvas de diferentes intensidades, de leves a fortes. As sementes ficaram submersas em água rasa, condição típica do cultivo de arroz.
Sementes expostas ao som da queda das gotas germinaram de 30% a 40% mais rápido do que sementes mantidas em um ambiente silencioso.
Tudo se resume à física. Quando uma gota de chuva atinge a água ou o solo, a pressão que ela provoca cria vibrações —ou ondas de pressão— que se propagam e podem ser percebidas como som. Na água, essas vibrações podem ser particularmente intensas.
Nicholas Makris, pesquisador do MIT e coautor do estudo, compara as ondas de pressão captadas pelas sementes, a apenas alguns centímetros do impacto de uma gota de chuva, ao som que uma pessoa ouve “a poucos metros de um motor a jato no ar”.
Estímulos ambientais
Sabe-se que as plantas respondem a uma variedade de estímulos ambientais. Algumas reagem ao toque, outras a substâncias químicas, e a maioria, à luz. A ciência também já estabeleceu que elas podem ser capazes de perceber a gravidade.
No caso das gotas de chuva, a ideia de que as plantas “ouvem” sugere que existe uma parte da planta que está “escutando” e agindo de forma cognitiva com base no que “ouve”. E há um certo fundo de verdade.
Outros estudos sugerem que sementes de plantas podem ter centros de decisão, que funcionam como pequenos cérebros vegetais.
“Sabemos que as plantas são verdadeiros organismos vivos”, afirma Frantisek Baluska, professor emérito de fisiologia vegetal e biologia celular vegetal da Universidade de Bonn (Alemanha). “As plantas estão emergindo como organismos cognitivos.”
Assim como na ideia de plantas ouvirem a chuva, as plantas não pensam da mesma forma que nós, humanos, entendemos o “pensar”. Mas é possível, segundo Baluska, que as sementes decidam sobre a germinação com base numa forma de avaliação cognitiva.
Sensibilidade à gravidade
Os autores do estudo dizem acreditar que as vibrações atuam sobre pequenas estruturas internas conhecidas como estatólitos. As organelas densas, semelhantes a grãos de areia, estão presentes dentro das células vegetais e ajudam a detectar a gravidade.
Os estatólitos se depositam no fundo das células, permitindo que a semente saiba qual é o sentido de cima e de baixo —assim, as raízes crescem para baixo e os caules crescem para cima.
No entanto, a pesquisa da equipe sugere que a energia das vibrações induzidas pela chuva interfere no funcionamento normal dos estatólitos.
Sementes que respondem a essas vibrações provavelmente estão próximas da superfície, onde há umidade disponível, mas não tão profundas a ponto de os brotos emergentes não conseguirem alcançar a luz. Isso significa que o som da chuva pode ajudá-las a avaliar se estão em uma posição ideal para crescer.
“A audição humana é adaptada para ser vantajosa aos seres humanos”, diz Makris. “O que descobrimos é que as sementes e mudas das plantas fazem algo que aparentemente também é vantajoso para elas.”
Segundo ele, é provável que sementes de outras plantas respondam ao som da chuva de maneira semelhante.
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