A rede Supermercados BH, quarta maior do país segundo ranking da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), adotou a escala de trabalho de segunda a sábado, com folga fixa aos domingos, nas lojas no Espírito Santo, atendendo convenção coletiva de trabalho estadual assinada em novembro do ano passado.
O fechamento das lojas capixabas aos domingos começou a vigorar em 1º de março e, segundo a empresa, tem sido bom para todos os envolvidos. “Estou me sentindo maravilhosamente bem com [a escala adotada no] Espírito Santo”, disse à Folha o empresário Pedro Lourenço de Oliveira, conhecido como Pedrinho BH.
O presidente da rede afirma que muitos dos seus concorrentes não gostam da ideia, mas na porção capixaba da empresa, onde há 44 lojas, a experiência tem funcionado. Ele afirma que a rotatividade de funcionários caiu 10% no primeiro mês do novo horário.
“A minha luta aqui em Minas é trazer essa escala para cá. Meu sonho é que toda loja feche aos domingos, o que seria bom para todos”, disse. “Poderia ser essa escala em definitivo.”
Entre março e outubro deste ano, o varejo alimentar e as lojas de construção do Espírito Santo decidiram fechar as portas todo domingo, para diminuir o déficit de 20% de mão de obra no setor. A mudança ocorre em meio às discussões sobre o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga) no Congresso.
“Há escassez de mão de obra no setor e um dos motivos é que ninguém quer trabalhar de domingo”, afirma José Carlos Bergamin, vice-presidente da Fecomercio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo).
Assim como a imensa maioria dos varejistas, Pedrinho BH afirma que, se o fim da escala 6×1 for aprovado, o custo do aumento da contratação vai chegar ao consumidor final.
“Vai ficar muito difícil trabalhar. Já não tenho gente para preencher 4.000 vagas abertas. Como vou aumentar quadro de colaboradores?”, diz o empresário.
A escala com folga aos domingos já era adotada no interior do Espírito Santo e passou a valer na Grande Vitória em março. Segundo a Fecomercio-ES, ainda não há números consolidados sobre rotatividade, mas o clima organizacional melhorou.
Segundo Bergamin, os clientes também se adaptaram ao novo horário e ampliaram suas compras às sextas e aos sábados.
Até 2012, supermercados fechados aos domingos eram regra no estado. “Mas mudamos porque havia muita reclamação de clientes. Agora, no entanto, há bem menos queixas”, diz ele, que acredita que os consumidores têm hoje mais alternativas para compras emergenciais, como padarias e outros pequenos varejistas de bairro, além de usarem mais a internet.
Do ponto de vista dos lojistas, segundo Bergamin, a folga aos domingos é interessante porque havia muita falta de pessoal e o trabalho de reposição e manutenção ficava prejudicado. As grandes redes têm procurado suprir em parte a ausência de trabalhadores com os caixas de autoatendimento. Mas a maioria das posições não são automatizadas —como açougueiro e repositor.
Existem alternativas que também são estudadas pelos varejistas capixabas, como a escala 12×36 (trabalha 12 horas e folga 36 horas). “Na prática, é um dia de trabalho e um dia de folga”, diz Bergamin, ressaltando que esta escala está prevista pela convenção coletiva de trabalho do estado.
Já o Grupo Coutinho, maior varejista do Espírito Santo, dono das redes Extrabom, Extraplus e Atacado Vem, anunciou a adoção da escala 5×2 (cinco dias trabalhados e dois de folga). A medida contempla cerca de 5.000 dos 6.800 funcionários do grupo.
Folha Mercado
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VAREJISTAS TESTAM ESCALA 5X2
Grandes e médios varejistas do país vêm testando a escala 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) e constatam algumas vantagens do modelo, como maior atração de candidatos e redução da rotatividade. Desafios operacionais, no entanto, existem.
Entre as dificuldades relatadas estão a gestão das folgas, os riscos de aumento de custos e, em alguns casos, a redução das gorjetas devido à ampliação das equipes.
As experiências dessas empresas, que acontecem em meio à discussão no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, são detalhadas em uma série de reportagens publicadas entre esta sexta-feira (8) e domingo (10).
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