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O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou nesta segunda (15), em sua rede social Truth Social, um manifesto defendendo que os balanços das empresas passem a ser divulgados a cada semestre, em vez de trimestralmente.
A discussão não é nova no mundo das finanças. Há quem considere quatro relatórios por ano exagero —e quem ache que é pouco.
Começando do começo. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, as empresas que têm capital aberto nas bolsas de valores precisam demonstrar seus resultados a cada três meses.
↳ A imposição existe há pelo menos 50 anos nos EUA.
↳ Lá, a responsabilidade de exigir e fiscalizar é da SEC (Comissão de Valores Mobiliários). Por aqui, a tarefa cabe tanto à CVM (nossa comissão) quanto à B3, a bolsa brasileira.
O lado bom. Na teoria, a condição existe porque a informação aumenta o poder de escolha dos investidores: munidos dos resultados de cada empresa, podem tomar melhores decisões.
Ainda, a transparência é importante para que órgãos reguladores e outras instituições localizem fraudes e outras irregularidades com maior facilidade. Também é uma forma de desincentivar esse tipo de desvio —quem não deve não teme, certo?
O balanço é ainda um mecanismo de prestação de contas com a sociedade. As pessoas, se assim quiserem, podem ter acesso às informações de empresas que fazem parte do seu cotidiano.
↳ Para os defensores da regra atual, todo o sistema se beneficia desse fluxo contínuo de dados. É uma forma de monitorar o progresso das companhias e avaliar a gestão em tempo quase real.
O lado ruim. Os críticos lembram que tempo é dinheiro: processar números, elaborar relatórios, participar de conferências e responder a investidores custa caro —e repetir o ciclo a cada três meses seria pouco eficiente.
A mudança para o ritmo semestral não é só uma questão financeira, mas também… filosófica, podemos dizer.
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“A maioria das empresas pensa as operações em termos semestrais”, afirma Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. “[Na regra atual] cria-se um incentivo para que a companhia apresente objetivos e metas artificiais.”
Segundo ele, a frequência pode ainda gerar pressão desnecessária: o público olha demais para resultados de curto prazo e ignora o planejamento de longo prazo.
↳ Em muitos países europeus, as companhias publicam balanços semestrais.
Repeteco. Esta não é a primeira vez que Trump pede à SEC que adote o modelo semestral. Durante seu primeiro mandato (2017–2021), chegou a defender a mesma ideia, destacando seu passado de empresário.
Na época, o órgão até analisou a proposta, mas concluiu que a mudança exigiria ajustes profundos no sistema de fiscalização da economia.
[+] Parando para pensar… a desregulamentação é um dos pilares do governo Trump. Lembra-se do Doge (Departamento de Eficiência Governamental), brevemente comandado por Elon Musk? No papel, o objetivo da pasta é reduzir a burocracia pública dos EUA.
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