Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a política tarifária americana virou assunto frequente. Apenas no último ano, houve uma série de idas e vindas de tarifas por parte do governo dos Estados Unidos, que diz querer atacar práticas desleais de comércio adotadas por outros países e resolver déficits comerciais.
O Brasil não ficou de fora da lista de países afetados, e produtos brasileiros apareceram mais de uma vez na lista de alvos —e também de isenções— das tarifas de Trump.
Relembre a seguir a cronologia das tarifas dos EUA contra produtos brasileiros.
2 DE ABRIL DE 2025
Trump, que apelidou a data de “dia da libertação”, impõe uma tarifa global de 10% sobre produtos comprados de outros países, inclusive do Brasil. As chamadas “tarifas recíprocas” entram em vigor dias depois, baseadas na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).
Antes disso, Trump já havia imposto tarifas de 25% sobre aço e alumínio vindos de todos os países —medida que também afetou o Brasil.
9 DE JULHO DE 2025
Trump anuncia tarifas de 50% sobre os produtos importados do Brasil. Entre as justificativas da medida está a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passava por julgamento no Brasil definido por Trump como uma “caça às bruxas”.
Junto às novas tarifas, governo americano também anuncia a abertura de uma investigação com base na seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração permite que EUA imponham tarifas sobre países acusados de violar acordos comerciais.
30 DE JULHO DE 2025
Trump assina o decreto que implementa tarifa adicional de 40% sobre os produtos importados do Brasil, elevando o valor total da sobretaxa para 50% —considerando os 10% anunciados em abril.
O decreto isenta quase 700 produtos, como derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja. Por outro lado, carnes, café e pescado não escaparam.
14 DE NOVEMBRO DE 2025
Semanas após encontro com o presidente Lula (PT) na Malásia e pressionado pelo aumento da inflação, Trump assina medida que retira as tarifas de 10% sobre a importação de carne bovina, tomate, café e banana, em movimento voltado para controlar a inflação dos alimentos no país após o tarifaço. A sobretaxa de 40% sobre o Brasil segue em vigor.
20 DE NOVEMBRO DE 2025
Trump dá mais um passo atrás e retira a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas vendidos pelo Brasil. Estão incluídos na lista carne e café, produtos importantes da pauta exportadora brasileira. Ao todo, são mais de 200 itens agrícolas e da pecuária, incluindo alguns fertilizantes à base de amônia.
20 DE FEVEREIRO DE 2026
Suprema Corte dos EUA derruba as tarifas globais de 10% impostas em abril. Entre outros argumentos, juízes afirmam que a IEEPA não é adequada para amparar as tarifas. A medida derruba a maioria, mas não todas as taxas impostas pelo presidente.
Entre as exceções estavam as tarifas implementadas sob a seção 232, que se refere a uma disposição da Lei de Expansão Comercial dos EUA que permite a imposição de tarifas quando a segurança nacional é considerada em risco. Era o caso de produtos como aço, alumínio, madeira e o setor automotivo.
Após a decisão da Justiça, Trump anuncia uma nova sobretaxa global de 10% com base em outra regra comercial, a seção 122 da lei comercial de 1974, e as taxas entram em vigor dias depois.
13 DE MARÇO DE 2026
EUA incluem Brasil em lista de 60 países investigados por trabalho forçado. A base legal usada para a investigação é a seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA agir contra práticas comerciais injustas, inclusive com a imposição de tarifas.
1º DE JUNHO DE 2026
Governo Trump conclui investigação da seção 301 contra o Brasil e propõe novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe a Trump.
3 DE JUNHO DE 2026
USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) propõe uma nova tarifa de 12,5% contra o Brasil após a divulgação de uma análise da investigação sobre o suposto uso de trabalho forçado. Não está claro se as penalidades seriam somadas, e a decisão sobre aplicação ou não das tarifas também cabe ao presidente dos EUA.
1º DE JULHO DE 2026
Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens enviaram comentários ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) pedindo que os Estados Unidos não implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
6 DE JULHO DE 2026
Representantes de empresas e associações do Brasil e dos Estados Unidos pediram em audiência pública que a proposta do governo Donald Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros não seja implementada.
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