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Corte da Selic melhora expectativas, mas exige cautela, dizem analistas

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em uma decisão que marca a continuidade do ciclo de flexibilização monetária iniciado neste ano. Apesar do corte, o Banco Central adotou um tom cauteloso e sinalizou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou que a economia brasileira voltou a acelerar no primeiro trimestre, com recuperação de setores mais sensíveis ao ciclo econômico e mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, a inflação e seus núcleos voltaram a mostrar pressão, enquanto as expectativas seguem acima da meta perseguida pela autoridade monetária.

As projeções do próprio Banco Central apontam inflação de 3,7% no horizonte relevante da política monetária, mas o colegiado reconheceu que os riscos continuam elevados. Entre os fatores de preocupação estão a persistência da inflação de serviços, a desancoragem das expectativas, os efeitos de choques de oferta ligados ao petróleo e às condições climáticas, além das incertezas fiscais e cambiais.

O ambiente externo também ganhou destaque no comunicado. O Banco Central citou a indefinição sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e os impactos sobre os preços de commodities e as condições financeiras globais. Para a instituição, o cenário exige cautela adicional dos países emergentes em um momento de maior volatilidade dos mercados.

Na avaliação de analistas, a decisão reflete um equilíbrio entre a necessidade de estimular a atividade econômica e a preocupação em manter a inflação sob controle. Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o corte ajuda a aliviar as condições financeiras, mas não altera de forma significativa o custo do crédito no curto prazo.

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As decisões da Superquarta deixam um recado claro para o mercado de crédito: a queda da Selic ajuda, mas não muda sozinha o custo do dinheiro no Brasil. O ambiente continua marcado por inflação acima da meta, atividade econômica resiliente e juros elevados nos Estados Unidos, fatores que limitam uma retomada mais forte do crédito”, afirma.

Segundo o executivo, a manutenção dos juros americanos pelo Federal Reserve reduz o espaço para movimentos mais agressivos do Banco Central brasileiro, uma vez que mantém pressão sobre o câmbio e reforça a postura mais conservadora dos investidores globais.

Para Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, o corte mostra que o Banco Central identificou condições para avançar no processo de flexibilização monetária, mas sem abandonar a prudência. “A decisão pode melhorar o humor dos mercados e destravar parte das decisões de investimento, mas o custo de capital ainda permanece elevado em termos reais. Por isso, os efeitos positivos sobre crédito, consumo e atividade econômica tendem a ocorrer de forma gradual”, afirma.

O comunicado também chamou atenção por indicar que diferentes trajetórias de juros ainda podem ser compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Na prática, a mensagem é de que o ciclo de cortes continuará dependente dos próximos indicadores econômicos e da evolução dos riscos domésticos e externos.

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