Educação financeira e investimentos estão cada vez mais no foco das mulheres. Elas, que no passado se preocupavam em poupar algum dinheiro ou formar uma reserva, hoje estão mais sofisticadas quando o assunto é montar uma carteira de investimentos e diversificar patrimônio.
E é diante dessa necessidade de alocar melhor os seus recursos, que os ETFs (fundos de índice) ganharam tração. Atualmente, existem 226 ETFs listados na B3, acumulando um patrimônio total de R$ 145,05 bilhões.
“Planejar orçamento é o cuidado do seu dinheiro hoje, mas investir é cuidar do seu futuro” afirma Thalita Forne, superintendente de produtos listados na B3. Em painel do Women Invest Sumitt 2026, a B3 e a gestora Investo debateram a relevância de usar fundos de índice para potencializar objetivos de investimentos.
Forne destacou a função dos ETFs como um instrumento de diversificação, porque se trata de uma cesta de ativos que contém diversas classes de investimentos, desde exposição a taxas de juros, ações americanas, ações brasileiras, entre outros. “Se um investidor quer ter exposição à bolsa brasileira porque acha que vai ter um rally de alta no mercado, ele consegue comprar uma cesta de ativos por meio de um ETF”, aponta a superintendente.
Ainda, segundo Forne, os ETFs evitam rotação excessiva de carteiras e vendas de ativos, afinal se um investidor que se expor ao mercado americano, europeu ou asiático, mas vê que o cenário perdeu atratividade nos EUA e ganhou destaque na Europa, ele não precisa fechar a conta em uma corretora americana e abrir uma nova conta em corretora europeia migrando os recursos, resta apenas vender o ETF e se posicionar em outro tema.
Outra vantagem, na visão de Forne, é a liquidez do produto, ou seja, a facilidade de comprar e vender um ETF, sem correr o risco de que as oscilações nas cotas impactem a rentabilidade.
Tijolinhos
Para Alessandra Gontijo, CCO da Investo, ETFs têm uma função de construção de patrimônio na vida financeira das mulheres. Ela compara com tijolinhos, que facilitam o acumulo de patrimônio ao longo do tempo, com acesso a diversos mercados e favorecendo a dolarização de carteiras.
“O investidor consegue dolarizar o patrimônio a traves da B3. Ele não precisa ter conta lá fora, enviar recursos ao exterior ou sofrer com spread cambial”, destaca Gontijo. Ela reforça o papel do ETF como facilitador de acesso e diversificação nos investimentos.
Além disso, Forne reforça que mesmo com um crescimento acelerado de mais de 40% no número de investidores em ETFs, estes ainda não representam nem 1% dos investidores no Brasil.
Vantagem tributária dos ETFs
Outro fator debatido durante o painel foi a eficiência tributária que os ETFs proporcionam. Em muitos fundos tradicionais de gestão ativa, o investidor paga uma taxa de administração de cerca de 2% e uma taxa de performance de 20% se o fundo superar o índice escolhido como benchmark. “É uma estrutura na qual você compra e acredita na capacidade de o gestor gerar resultados e isso se traduz em custo ao investidor”, diz Gontijo.
Já em relação aos ETFs, a gestão indexada que replica o índice acaba facilitando o acesso a este tipo de fundos, com baixo custo.
Forne, da B3, também destaca a eficiência tributária, porque no ETF a tributação é de 15% sobre o ganho de capital e 15% retido em caso de pagamento de proventos. Não há cobrança de imposto come cotas como ocorre nos fundos ativos, o que favorece na valorização do patrimônio e retorno.
Essa vantagem tributária propiciou fenômenos, como o fato de o investidor que gosta de renda fixa acabar optando por ETFs desta classe de ativos, entre eles o LFTB11 para se expor a uma cesta de títulos do Tesouro Selic e Tesouro IPCA+.
“O come cotas é uma antecipação semestral do imposto. Quem comprou um fundo de renda fixa ou multimercados, vai ser cobrado duas vezes ao ano. Para quem não paga come cotas, a economia é de praticamente 1% ao ano e 10% quando adicionado o retorno”, comenta Gontijo, da Investo.
Dividendos
Durante o painel, as especialistas também abordaram a geração de renda passiva por meio dos fundos de índice. Forne explica que o investidor pode ganhar de duas formas. Em alguns casos, os ETFs optam por não distribuir proventos e sim reinvestir eles nas próprias cotas do fundo, favorecendo a valorização do fundo. “Um ganho que entra como reinvestimento. E é positivo porque nem sempre o investidor tem a disciplina de reinvestir os dividendos”, destaca.
Há ainda os ETFs que trabalham com distribuição efetiva de proventos. Forne cita por exemplo os ETFs de FIIs, que já carregam a característica de remuneração frequente dos fundos imobiliários, e facilita quem busca receber renda com regularidade.
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