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Disputa entre impérios e religiões marca origens do Islã – 22/04/2026 – Darwin e Deus

Neste episódio de nossa série Como Deus Nasceu (provavelmente o antepenúltimo), é hora de abordar o contexto geopolítico e religioso das origens do Islã. O fato de que o “ecossistema” no qual a fé muçulmana germinou envolve um período conturbado, de grandes transformações, reflete-se até mesmo numa das lendas sobre o nascimento do profeta Maomé.

Acontece que, segundo a tradição, o pequeno Muhammad ibn Abdullah veio ao mundo no chamado Ano do Elefante (570-571 d.C.). Nessa época, um rei chamado Abraha teria atacado Meca, a cidade natal do futuro profeta (na região centro-ocidental da moderna Arábia Saudita) com um exército de 60 mil homens.

As forças de Abraha incluiriam um ou vários elefantes de guerra, entre os quais um grande animal branco chamado Mahmud. O avô de Maomé teria participado das negociações com o rei, mas o invasor supostamente foi derrotado por forças miraculosas, com aves jogando pedras sobre os soldados, sinalizando a proteção divina dedicada a Meca.

Não há consenso sobre a real ocorrência do ataque, mas Abraha de fato existiu, e ele foi um governante cristão, de origem etíope, que se apossou do reino árabe de Himyar, no atual Iêmen, inicialmente em nome do Império de Axum (também grafado como “Aksum”), na Etiópia. Foi a partir de lá que Abraha tentou estender sua autoridade para outras regiões da Arábia. Como se o cenário já não fosse confuso o suficiente, o reino iemenita de Himyar, antes do ataque de Abraha, tinha se tornado oficialmente judaico — a elite e parte do resto da população tinham se convertido ao judaísmo.

Sim, é muita informação, mas a questão é justamente essa: quando Maomé nasceu, sua terra natal estava cada vez mais se tornando uma encruzilhada de impérios e religiões. Isso se dava porque a Arábia fazia parte da zona fronteiriça entre duas das superpotências de então: o Império Romano do Oriente, sediado em Constantinopla, e o Império Sassânida, na Pérsia.

De fato, apesar do fim do domínio de Roma na maior parte da Europa Ocidental no século anterior, os romanos orientais mostravam grande resiliência econômica e militar, tendo até reconquistado (a duras penas, é verdade) a Itália e partes da África do Norte e da Espanha. Seus arqui-inimigos, havia quase três séculos, eram os persas. E ambos os lados da disputa tinham adotado religiões imperiais: do lado romano, o cristianismo “católico” (ainda sem uma divisão entre Ocidente e Oriente), e o zoroastrismo do lado persa.

Estados na zona de influência de Constantinopla, como o Império de Axum e a Armênia, tinham adotado oficialmente o cristianismo, e havia comunidades judaicas no território de ambas as superpotências e em todo a vizinhança. Adotar o judaísmo, como no caso de Himyar, podia ser visto como uma espécie de “declaração de neutralidade” em relação ao ambos os lados, ao mesmo tempo em que sinalizava a adesão ao mesmo Deus que os dois impérios cultuavam. Nesse contexto, ser monoteísta era visto como mais respeitável do que as antigas crenças pagãs.

O que vale para Himyar vale, a rigor, para as demais regiões da Arábia. Divididas em pequenas cidades e grupos tribais nômades (os quais podiam ser cooptados por alianças militares romanas e persas), nessas áreas havia um mosaico de grupos judaicos, cristãos —alguns dos quais vistos como heréticos por Constantinopla— e seguidores de religiões politeístas tradicionais.

Tudo isso significa que as ideias mais importantes dos monoteísmos que precederam o Islã circulavam na cultura árabe antes que a missão religiosa de Maomé se iniciasse. A visão desse profeta sobre Deus, expressa no Corão, será o tema do nosso próximo episódio. Até lá!


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