A guerra que forçou o Oscar a trocar estatueta valiosa por troféu de gesso

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O Oscar divulgou esta semana os indicados à sua 98ª edição, que acontece no dia 15 de março, com o brasileiro O Agente Secreto concorrendo em quatro categorias, incluindo a de melhor ator para Wagner Moura. Se vencer, o brasileiro leva para casa a estatueta que celebra os maiores feitos do cinema, feita de bronze maciço e banhada em ouro. Mas nem sempre foi assim: durante a Segunda Guerra Mundial, o troféu tradicional foi trocado por uma versão de gesso pintado, por conta da escassez de metais.

A medida foi adotada em 1943, pouco depois de os Estados Unidos ingressarem na guerra contra o Eixo. Naquela época, a indústria bélica consumia grande parte do metal disponível na produção de munição e armamentos para o conflito, gerando uma escassez generalizada para outras áreas. No meio disso, O Oscar continuou acontecendo, mas a Academia trocou as estatuetas de metal por um modelo de gesso revestido com uma tinta metalizada.

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O irlandês Barry Fitzgerald com seu Oscar de gesso quebrado (Reprodução/Instagram)

Na época, o New York Times chegou a atestar em uma de suas matérias sobre o tema que o troféu de gesso era um trabalho de 12 dólares maquiado para se parecer com algo de 90 dólares, já que a pintura dava uma aparência um pouco mais satisfatória à estatueta. A situação durou até 1945, e rendeu um caso curioso: naquele ano, o irlandês Barry Fitzgerald ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante pelo filme O Bom Pastor. Quando recebeu o troféu, foi brincar com o prêmio fingindo que a estatueta era um taco de golfe, e acabou decapitando o boneco por acidente.

Com o fim do conflito, os vencedores premiados com gesso puderam trocar suas estatuetas por uma versão tradicional, feita de metal — para a felicidade de todos eles. Hoje, o troféu é feito de bronze maciço e banhada em ouro 24 quilates, pesando quase quatro quilos. Segundo as estimativas mais recentes, o custo de produção gira em torno de 400 dólares — uma baita diferença.

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