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As descobertas do ator que faz o lendário goleiro Félix em ‘Brasil 70’

Hugo Haddad, que irá interpretar o goleiro Félix em Brasil 70: A Saga do Tri, nova minissérie da Netflix, mergulhou de cabeça no universo da histórica seleção campeã do mundo de 1970.

“A primeira coisa que me apareceu foi a dimensão histórica daquela seleção dentro do imaginário brasileiro. Estamos falando de um time que talvez seja o mais mítico de todos os tempos, mas também de uma Copa usada politicamente pela ditadura num momento muito duro do país. E dentro desse time de estrelas, Félix ocupava um lugar particular. Enquanto Pelé, Rivellino, Jairzinho e os outros viraram quase símbolos universais, o goleiro carregava um peso mais solitário. Ele convivia sob a desconfiança constante da imprensa e da torcida. Mesmo sendo campeão do mundo e fazendo defesas decisivas, continuou sendo criticado por muita gente”, analisa ele em entrevista à coluna GENTE.

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Para dar vida ao personagem, o ator mineiro emagreceu sete quilos e passou meses treinando quedas, impulsão e preparo físico intenso, além de estudar a pressão emocional enfrentada pelo goleiro mais contestado daquele time lendário.

“Foi um processo intenso. Precisei emagrecer ao longo da preparação e das filmagens, mas o principal não era só perder peso, era transformar meu corpo para que ele começasse a responder como o corpo de um goleiro da época. Passei meses treinando quedas, impulsão, além de preparo físico e fisioterapia constante. Ao mesmo tempo em que eu estudava o Félix emocionalmente, também aprendia coisas muito concretas sobre postura, movimentação e reação dentro do gol. Teve um dia em que me olhei no espelho antes de ir para o set e fiquei pensando como o Félix conseguia manter aquele penteado impecável jogando ao meio-dia no calor do México”, diz. 

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Hugo conta que se emocionou ao descobrir os bastidores humanos da conquista do tricampeonato e destaca como entendeu que o contexto da ditadura militar impactava até a vida íntima dos jogadores.

Entre as histórias que o impactaram, ele se recorda de Marlene, esposa do Félix. Anos depois da Copa, o casamento deles quase acabou durante a preparação de 1970. A seleção ficou cerca de quatro meses concentrada fora do Brasil e as cartas que ela enviava nunca chegavam. Durante um tempo, acreditou que ele estivesse simplesmente se afastando dela. Só depois entendeu que muitas correspondências desapareciam ou eram interceptadas naquele contexto. “Também me chamou atenção o quanto a preparação daquela seleção foi dura. Eles passaram semanas isolados fazendo testes físicos, corridas e treinos exaustivos para suportar o calor e a altitude da Copa. Isso mudou muito minha percepção daquela equipe. Por trás daquele futebol brilhante existia uma rotina extremamente regrada e sufocada pelo contexto político da época”, diz. 

Entre lembranças divertidas, o ator entrega que já foi goleiro improvisado na adolescência e até defendeu um pênalti decisivo em um campeonato escolar. Ou seja, o futebol sempre rondou seu universo particular, como na maioria dos brasileiros.

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“Sempre fui ruim de bola, mas como era um dos mais altos da sala, acabava indo pro gol. E eu gostava de estar ali, observando o jogo e tentando organizar o time. Não tinha muita técnica, mas gostava da sensação de defender uma jogada importante. Nunca pensei em seguir no futebol, mas percebi que os treinadores gostavam da minha presença. Era aquele reserva que tentava manter o time animado, incentivava todo mundo e não se abalava nas derrotas”, admite.

Entretanto, na adolescência, em um campeonato estadual entre colégios, ele era o terceiro goleiro do time. O titular e o reserva eram irmãos gêmeos e tiveram problemas para embarcar no ônibus. Do nada virou o goleiro titular do campeonato. “Meu time foi avançando e, na final, consegui defender um pênalti decisivo. Achei que minha trajetória como goleiro terminaria ali, muitos anos depois descobri que essa habilidade me ajudaria a defender a seleção brasileira”, diz, empolgado. 

Além da série, ele também está com A Sombra do Sol, que, a seu ver, representa esse momento de transformação que está vivendo. É o seu primeiro longa-metragem, codirigido com Isadora Canela. O projeto nasceu de anos de pesquisa e viagens. O filme fala sobre astronomia indígena, vida, morte e formas de conhecimento que normalmente ficam à margem da sociedade. A estreia foi no Hot Docs, um dos festivais de documentário mais importantes do mundo. “Estar ali com um filme tão pessoal e independente foi emocionante. Também acho bonito viver isso ao mesmo tempo em que estou atuando no Brasil 70, porque são projetos muito diferentes, mas que acabam se alimentando artisticamente. Tenho cada vez mais vontade de fazer filmes que aproximem as pessoas da complexidade humana sem transformar ninguém em símbolo distante”, comemora. 

Fonte: Link da fonte

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