O acordo entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro do radar, mas não exatamente como o mercado gostaria. A Europa avança em negociações com a Índia reforçando a sensação — nada confortável — de que o Mercosul segue esperando na antessala, ou a decisão do Tribunal de Justiça do bloco europeu.
Para Gustavo Junqueira, colunista de VEJA, o erro está em tratar acordos (UE-Mercosul) dessa magnitude como um evento político pontual. “Assina, anuncia, comemora… e acha que acabou”, diz ele. Na prática, explica, são processos permanentes de governança. O conflito europeu é estrutural: o agro pesa pouco no PIB, mas muito na política, enquanto o continente precisa crescer, se abrir e, ao mesmo tempo, administrar sua proteção doméstica.
Do lado do Brasil, Junqueira diz que é preciso refazer o discurso: “É preciso sair da narrativa de sermos celeiro do mundo, isso assusta a Europa. Nós precisamos ser o maior provedor de segurança alimentar, de segurança energética renovável, de biocombustíveis.” Ou seja, o Mercosul precisa ser um parceiro europeu. Junqueira defende ainda que o tempo de espera pela decisão da justiça europeia deve ser usado pelo Brasil para focar em rastreabilidade, dados auditáveis e transparência sobre desmatamento e clima para transformar o medo dos agricultores europeus em confiança.
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