O Paraguai deixou de ser visto apenas como destino de triangulação comercial e passou a entrar no radar de brasileiros interessados em proteção patrimonial, diversificação de ativos e residência fiscal. Segundo dados apresentados pela Raíces Real Estate durante a convenção anual do Sistema Cofeci-Creci, em Foz do Iguaçu, investidores brasileiros responderam por 50% das vendas da incorporadora neste ano e representam 60% dos pedidos de residência para investidores no país.
O movimento acompanha a chegada de indústrias, empresários do agronegócio e investidores ao mercado paraguaio, impulsionando a demanda por galpões logísticos, áreas corporativas e imóveis residenciais de alto padrão. Hoje, cerca de 300 empresas brasileiras já operam com investimento direto no Paraguai, mas a projeção do mercado é que esse número chegue a 1.000 companhias nos próximos três anos.
A Raíces, que também opera a franquia paraguaia da Sotheby’s International Realty, aposta agora nos corretores brasileiros como canal de distribuição para esse mercado. A companhia afirma que pretende capacitar profissionais com Creci para atuar como consultores de alocação patrimonial no Paraguai, explicando a investidores brasileiros as regras tributárias, imobiliárias e migratórias locais.
Entre os atrativos apontados pela empresa estão a baixa burocracia para obtenção de residência, a tributação mais leve e o avanço do mercado imobiliário paraguaio, que já representa 12% do PIB do país. Para 2026, a projeção apresentada é de 80 mil novas residências. Em Assunção, imóveis em áreas premium como Villa Morra, Recoleta e Carmelitas têm preços entre US$ 1.500 e US$ 2.500 por metro quadrado, enquanto Ciudad del Este e Encarnación aparecem como alternativas de entrada mais baixa.
O discurso da Raíces é claro: vender o Paraguai como uma espécie de atalho regional para renda passiva, dolarização de patrimônio e residência com menos exigências. Para o investidor estrangeiro, os tickets citados são de US$ 150 mil em projetos imobiliários ou de turismo, ou US$ 200 mil no mercado de capitais local. O governo, segundo a companhia, não exige plano de negócios nem criação obrigatória de empregos.
O apetite brasileiro também é reforçado pelo ambiente macroeconômico paraguaio. A incorporadora destaca o regime de maquila, a energia industrial mais barata, a tributação corporativa menor e a força do agronegócio local como fatores que sustentam a expansão de ativos imobiliários. Para a Raíces, o Paraguai começa a ocupar um espaço que antes era buscado por brasileiros em destinos mais distantes: o de mercado próximo, dolarizado e com promessa de valorização.
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