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Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar
Quem já passou por um episódio de cãibra sabe que ela vem de maneiras inesperadas. Você pode estar fazendo um exercício e vir aquela dor intensa ou até estar dormindo e sentir aquela pontada na panturrilha.
E o que é? É uma contração muscular súbita, involuntária e dolorosa.
Por que ela acontece? É multifatorial, mas médicos listam as causas mais comuns:
- Fadiga muscular: quando a pessoa exige da musculatura mais do que ela consegue sustentar naquele momento, desregulando o ciclo natural de contração e relaxamento das fibras musculares.
“É como se, por exemplo, o ‘acelerador’ da contração ficasse pressionado o tempo inteiro, enquanto que o ‘freio’ funcionasse menos. Ele tá mais estimulando e menos relaxando”, explica o ortopedista Moisés Cohen, professor de ortopedia e medicina do esporte.
- Medicamentos: remédios como estatinas (usadas para o colesterol) e diuréticos podem interferir na mecânica das células musculares ou no equilíbrio de fluidos, deixando a musculatura mais vulnerável a dores e contraturas.
- Condições de saúde: doenças como hipotireoidismo, problemas renais, hepáticos, circulatórios ou o estreitamento do canal da coluna lombar (estenose) também podem provocar ou agravar o quadro.
Onde? É mais comum ocorrer nos membros inferiores, como a panturrilha, e pode surgir no pé, na parte posterior da coxa ou até, de forma incomum, nas mãos.
“Em geral, são músculos que passam por duas articulações ao mesmo tempo, o que os deixa mais vulneráveis a esse desequilíbrio”, explica o ortopedista José Otávio Tomé, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Na calada da noite… é comum a cãibra ocorrer durante o sono.
Diferentemente daquela associada ao exercício físico, nesse caso ela possui mecanismos e fatores desencadeantes específicos.
“Costuma acompanhar outras condições, como distúrbios circulatórios, gravidez, doenças renais ou hepáticas, uso de determinados medicamentos e o próprio processo de envelhecimento”, explica Tomé.
Durante a cãibra… é difícil pensar quando se está com dor, mas, de imediato, é preciso fazer um alongamento lento no sentido oposto ao da contração.
Exemplo: na panturrilha, empurre ou puxe a ponta do pé para cima, em direção à canela.
Realize o movimento com calma e sem forçar, pois um alongamento violento pode lesionar fibras musculares que já se encontram contraídas ao máximo.
Após a musculatura destravar, evite movimentar ou contrair novamente a região para não disparar um novo espasmo.
Depois da cãibra… pode ainda ficar dolorido, por isso, massagear suavemente o local auxilia no relaxamento da musculatura e ajuda a aliviar o desconforto.
E a tal da banana? Quem nunca ouviu dizer que se não come banana, dá cãibra, pois saiba que isso é mito.
Por quê? As contrações são causadas por fadiga muscular e desequilíbrio no controle nervoso, e não pela falta isolada de potássio.
Não existem evidências científicas de que comer alimentos ricos em potássio logo antes ou depois do esforço evite o problema.
“Quando falta potássio a ponto de causar cãibra de verdade, é geralmente por alguma doença, como problema renal ou diarreia persistente, e não porque a pessoa deixou de comer uma fruta”, explica Tomé.
Sim, mas… não precisa deixar de comer banana, o alimento é rico em vitaminas do complexo B e sais minerais.
+ Formas de prevenção: Bruno Rudelli, médico ortopedista do Hospital Sírio-Libanês, indica algumas medidas:
- Condicionamento muscular: como a fadiga é o principal gatilho do desequilíbrio neurogênico, fortalecer a musculatura é o ponto-chave para evitar que o músculo entre em exaustão.
- Progressão lenta de treino: o treino deve ser programado com evoluções graduais de volume e intensidade, evitando aumentos brutos ou repentinos de esforço.
- Qualidade do sono e alimentação: ter uma boa rotina de sono é indispensável tanto para o reparo muscular quanto para o bom funcionamento do sistema nervoso central.
Quando buscar um médico?
- Episódios recorrentes que ocorrem semanalmente ou diversas vezes na semana.
- Crises que surgem durante o repouso sem relação com esforço físico.
- Permanência de dor intensa, inchaço, hematoma ou fraqueza no local nas horas seguintes ao episódio.
O que você precisa saber
Notícias sobre saúde e bem-estar
Como saber que estou com deficiência de ferro? Além da fadiga, sintoma característico, queda de cabelo, dores de cabeça, falta de ar e tontura podem ser sinais de alerta. Inflamação da língua e alterações nas unhas também podem ser sintomas em casos graves.
Prisão de ventre? Consumo de 21 a 38 gramas de fibras por dia pode ajudar o intestino a funcionar, segundo especialistas. O ideal é priorizar alimentos como maçã com casca, kiwi e ameixas secas.
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