A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (5) projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, ampliando o controle do governo federal sobre a exploração e comercialização desses recursos.
A proposta tramita em regime de urgência e, se aprovada, seguirá diretamente para o Senado Federal.
O texto, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim, prevê novos mecanismos de supervisão sobre operações societárias, contratos e exportações envolvendo empresas do setor mineral.
A iniciativa é tratada como prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Novo órgão com poderes ampliados
O projeto institui o Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), vinculado ao Executivo, com atribuições amplas.
O órgão poderá vetar fusões e aquisições, barrar investimentos estrangeiros diretos e até restringir exportações consideradas de baixo valor agregado.
Segundo o relator, a proposta busca proteger interesses estratégicos do país e evitar que recursos minerais sejam explorados sem retorno industrial relevante.
O comitê será presidido pelo ministro de Minas e Energia e terá representantes do governo federal, estados, municípios, setor privado e academia.
Controle sobre operações e acesso a dados
Pelo texto, o CMCE deverá analisar previamente operações que impliquem transferência de controle ou acesso a informações geológicas consideradas estratégicas.
Isso inclui participação relevante em empresas que detenham direitos de exploração de minerais críticos.
A medida amplia a capacidade do governo de intervir diretamente na estrutura societária do setor, em um movimento que aproxima o Brasil de modelos adotados por outras economias que tratam esses recursos como ativos de segurança nacional.
Pressão geopolítica e disputa global
A votação ocorre em um contexto de crescente disputa internacional por minerais essenciais à transição energética, como lítio, níquel e terras raras. Esses insumos são fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos e tecnologias de energia limpa.
O tema também está na agenda da viagem de Lula a Washington, onde o presidente deve se reunir com Donald Trump.
Os Estados Unidos buscam garantir acesso a cadeias de suprimento desses minerais em meio à rivalidade estratégica com a China, hoje dominante na produção e processamento global.
Governo articula aprovação
O governo federal atuou diretamente na construção do texto final e deve orientar sua base a votar favoravelmente ao projeto.
A proposta também se conecta a outras iniciativas em discussão no Congresso que preveem incentivos fiscais e financiamento para projetos ligados a minerais críticos, em uma tentativa de atrair investimentos e fortalecer a cadeia produtiva no Brasil.
Debate sobre intervenção e investimentos
Especialistas apontam que, embora a proposta reforce a soberania sobre recursos estratégicos, ela pode gerar incertezas para investidores ao ampliar o poder de intervenção estatal.
Por outro lado, defensores argumentam que o controle é necessário diante da importância geopolítica crescente desses minerais.
O desfecho da votação deve indicar o grau de alinhamento do Brasil a uma tendência global de maior regulação sobre recursos considerados essenciais para segurança econômica e energética.
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