A Chilli Beans anunciou André Dela Togna como novo co-CEO da companhia durante uma reunião interna realizada nesta segunda-feira, 31. Segundo fontes ouvidas pela coluna, o executivo deve assumir a condução das negociações com os bancos para reestruturar uma dívida, que encerrou 2025 em 600 milhões de reais. A alternativa em discussão seria uma possível recuperação extrajudicial.
A Chilli Beans enviou um posicionamento à coluna após a publicação desta reportagem. A empresa não não comentou sobre uma possível recuperação extrajudicial apontada pela apuração desta notícia. No entanto, a companhia negou qualquer discussão sobre eventual processo de recuperação judicial. O posicionamento da empresa sobre uma recuperação judicial acontece após o veículo de negócios Neofeed informar que a companhia estava analisando uma recuperação judicial.
Durante a reunião, o CEO da Chilli Beans, Caito Maia, negou aos funcionários que a empresa esteja prestes a entrar em recuperação judicial. Fontes a par das negociações, porém, afirmam que a declaração do executivo indica que a companhia pode recorrer a uma recuperação extrajudicial para renegociar os débitos com os credores.
“Caito disse que não tem recuperação judicial nenhuma! Segundo ele, recuperação judicial é uma coisa, recuperação extrajudicial é diferente”, afirmou uma fonte que acompanha o assunto.
Vale lembrar que a recuperação judicial é travada por intermédio da Justiça, enquanto a recuperação extrajudicial é feita forma mais amigável e em comum acordo com os credores.
Uma segunda fonte afirmou que Dela Togna chega à companhia justamente para conduzir as negociações com os bancos. Segundo esse relato, o novo vice-presidente afirmou, durante seu discurso aos funcionários, que pretende buscar uma composição entre os credores. “Togna disse que as negociações com os bancos estão caminhando e se encaixando”, afirmou a fonte.
Um terceiro interlocutor a par da reunião relatou que Caito Maia também afirmou que a companhia está na etapa final das negociações com os bancos. Segundo essa fonte, o executivo disse que espera mudanças positivas na empresa nos próximos três meses. Caito, de acordo com o relato, continuará à frente da companhia como CEO.
Em nota enviada à coluna horas após a publicação desta reportagem, a empresa disse que está em avançada negociação amigável com bancos credores, objetivando alongar prazos de pagamento e reduzir juros.
“Para auxiliar a empresa neste projeto, o executivo André Dela Togna assumirá, no dia 1 de outubro, como vice-presidente da companhia (co-CEO), apoiando operacionalmente o CEO, Caito Maia, que pretende se dedicar cada vez mais aos clientes e franqueados”, afirmou a Chilli Beans.
Chilli Beans enfrenta queda no faturamento dos franqueados
A possível renegociação das dívidas ocorre em um momento de queda nas vendas da rede de franqueados da Chilli Beans. Dados obtidos pela coluna mostram que as unidades movimentaram 380 milhões de reais de janeiro a julho de 2026, recuo de 12,3% em relação aos 423 milhões de reais registrados no mesmo período de 2025.
A retração foi registrada nas principais categorias da rede. Nas lojas da chamada linha vermelha, a mais antiga da marca, o faturamento somou 275 milhões de reais nos sete primeiros meses de 2026, queda de 9,3% ante os 303 milhões de reais registrados no mesmo período do ano anterior.
As lojas tradicionais de óculos escuros movimentaram 98 milhões de reais até julho, recuo de 12,9% em relação aos 113 milhões de reais registrados no mesmo intervalo de 2025.
Na categoria de contêineres ecológicos, o faturamento alcançou 7 milhões de reais no acumulado de janeiro a julho de 2026, queda de 3,5% na comparação anual.
Em nota, a varejista disse que, no período de janeiro a agosto deste ano, houve uma retração de 2,5% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, na comparação de agosto com o mesmo mês de 2025, foi registrado um crescimento de 8%, com resultados recordes no último Dia dos Pais.
Assim, a chegada de Dela Togna ocorre em meio a dois desafios para a Chilli Beans: a necessidade de renegociar uma dívida estimada em 600 milhões de reais e a retração do faturamento da rede de franqueados.
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