Economistas concordam que o choque do petróleo não terá efeito só este ano, mesmo que a guerra acabe nas próximas semanas. A economista Ariane Benedito, do PicPay, em evento do Banco Central chamou atenção para o horizonte mais longo das projeções inflacionárias. Segundo ela, a equipe já observa não apenas os impactos imediatos, mas também os efeitos para 2027 e 2028. A avaliação é de que há uma defasagem relevante na dissipação do choque recente, sobretudo após a alta das commodities. Para a economista, não se trata de um movimento passageiro, mas de uma mudança estrutural que envolve oferta, logística e custos, exigindo mais cautela na leitura das projeções futuras.
Essa preocupação com a persistência da inflação também aparece na análise de Sérgio Vale, da MB Associados que falou ao programa Mercado. Ele observa que choques como os atuais podem se prolongar mesmo que o evento inicial seja temporário, principalmente pela incerteza em torno do comportamento do petróleo. Sem clareza sobre o retorno dos preços a patamares anteriores, o efeito inflacionário tende a contaminar as expectativas e ampliar o desafio da política econômica. “Isso aconteceu em outros momentos no passado e que, mesmo que seja curto, a gente tem um pico de preço. Depois o preço normalmente ele começa a voltar para um padrão menor, a gente não sabe exatamente o patamar que esse preço vai voltar e se toda a questão da guerra vai estar definitivamente resolvida ou o conflito em si vai estar resolvido”, afirma.
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