Com sua chegada à bancada em 2024, o programa Sem Censura ganhou novo verniz, com convidados estrelados e trechos virais nas redes. A que atribui essa boa fase? Acredito que seja porque eu faço do meu jeito, como fazia no Vídeo Show (1983-2019), da TV Globo. Aprendi a exercitar a escuta e, como estudo bem meus convidados, criamos uma dinâmica bacana.
Ser famosa e ex-global ajuda a atrair celebridades? De fato, tenho muitos amigos no meio, mas o programa virou uma vitrine. Às vezes, a pessoa vem aqui divulgar uma peça e o teatro lota no final de semana seguinte. No fim, nem tem tanto a ver comigo.
O programa traz pontos de vista diversos. Como manter a leveza em tempos tão polarizados? Me esforço para criar um ambiente de respeito. Se é uma pessoa com ideias que eu não compartilho, busco debater o assunto, afinal, é um programa de debate. Temos a polarização, mas faço questão que todos fiquem à vontade.
No mês passado, viralizou a participação da cantora gospel Fernanda Brum no programa, quando discutiram sobre amizades entre pessoas de religiões diferentes. Como responde à polêmica das redes? Criaram uma confusão que até hoje não entendi, porque não fiz por mal. Só perguntei se ela seria amiga de alguém com uma religião diferente, como eu, e ela disse que me amava. Era só uma pergunta sobre tolerância religiosa. Para mim, ficou perfeito e se encerrou ali.
Sua saída da Globo em 2021, quando apresentava o É de Casa, levantou questões sobre etarismo. Acha que esse foi um ponto que levou ao fim do contrato? Acredito que tenha havido um pouco de etarismo, sim, mas não penso muito nisso. Não gosto de ficar onde não me querem e me acho muito legal, sei que o público gosta de mim. É uma página virada, mas sei que as portas da Globo seguem abertas, até fiz participações em séries do Globoplay.
Sua reinvenção na TV Brasil foi surpreendente. Como analisa essa virada na carreira? Eu estou muito feliz, pois adoro o que faço. E é sem censura mesmo: aqui posso falar o que eu quiser, até de temas que na Globo eram mais engessados. Há vida fora da Globo. Foi um lugar especialíssimo na minha vida, onde tive a honra de trabalhar por mais de quarenta anos. Aprendi muito lá, mas existem outras possibilidades por aí, é só querer e se dedicar.
Amadurecer diante das câmeras é um desafio particular para uma mulher? Acho que é um ato de resistência. Apesar das dificuldades, estamos no caminho certo de um trajeto longo.
Publicado em VEJA de 26 de junho de 2026, edição nº 3001
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