A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) instaurou um processo sancionador contra a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o vice-presidente de relações com investidores, Marco Tobias da Silva, por supostamente dar declarações excessivamente positivas que podem induzir investidores ao erro.
Segundo informações do site do órgão, o chamamento dos acusados ocorreu no dia 13 de agosto. As declarações que motivaram o processo não estão especificadas no registro público da CVM.
Durante entrevista coletiva para comentar os resultados do segundo trimestre de 2025, Tarciana afirmou: “Quem tem, mantenha, quem não tem, compre”.
A presidente do BB disse na época que o banco havia gerado bons dividendos a seus acionistas, somando um dividend yield (DY) de 50% desde 2023 —dividend yield é o ganho de um investimento em ação apenas com os dividendos distribuídos.
Em nota, o BB informou que prestará esclarecimentos à CVM “tão logo tenha acesso à íntegra do processo”. Também defendeu que a empresa e seus executivos atuam baseados na “transparência, diligência, responsabilidade e diálogo” com todos os públicos.
O processo da CVM se baseia no artigo 15 da Resolução 80 do órgão, que diz que “o emissor deve divulgar informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro”.
Os processos administrativos sancionadores são o meio da CVM para investigar e aplicar punições por irregularidades no mercado de capitais. Após instaurado, o processo é julgado pelo colegiado da CVM.
No dia 12 deste mês, o BB divulgou resultados acima do esperado pelo mercado para o segundo trimestre deste ano. O resultado líquido ajustado do banco somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025 e elevação de 13,9% na comparação com os três primeiros meses deste ano.
A margem financeira bruta do banco cresceu 12,1% no ano e somou R$ 27,5 bilhões de abril a junho, impulsionada pelas receitas de crédito, com destaque para o consignado privado.
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