Em ‘Emergência 53’, William Nascimento fala da vida evangélica e passado como motorista

Retornado ao mainstream três anos após interpretar o lutador Anderson Silva na premiada Anderson ‘Spider’ Silva, o ator William Nascimento, 33 anos, compõe o elenco de Emergência 53, série do Globoplay que acompanha a rotina de uma unidade de socorristas. Falando com exclusividade à coluna GENTE, o ator destaca a preparação para a série, dá um vislumbre do que está por vir nas suas próximas participações no audiovisual e relembra a longa trajetória até estourar como ator – chegando a trabalhar como motorista de aplicativo entre um teste e outro. 

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Você tem 18 anos de carreira, mas ganhou projeção no audiovisual com Anderson Spider Silva em 2023. O que fez no intervalo longo entre aquela produção e Emergência 53? Os projetos demoram a sair. Graças a Deus, não fiquei sem trabalhar. Tive oportunidade de fazer Dona Beja, a novela, e foi maravilhoso. Logo em seguida fiz Na Linha de Fogo, filme no qual estamos homenageando a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de fazer mais um protagonista. E fiz também Corações Naufragados, filme que a gente conta a história do Brasil na Segunda Guerra Mundial, quando navios sergipanos foram torpedeados. 

Como foi a preparação para interpretar Átila? Você chegou a acompanhar a rotina de profissionais do SAMU? Átíla é enfermeiro, mas, antes disso, também é militar da Brigada Paraquedista e evangélico. E cresci com um irmão de criação evangélico, assim como eu, enfermeiro e paraquedista. Então pude pegar muita coisa desse meu irmão e trazer para o Átila. Tive toda a preparação dentro do SAMU. Ficamos um tempo dentro da unidade aprendendo os primeiros socorros, todo o atendimento, o dia a dia, o linguajar deles. 

Você é evangélico e interpreta um personagem que também professa essa fé. Como foi levar essa experiência pessoal para a ficção? Acredito que todo ser humano tem que estar ligado a uma fé. Sou evangélico desde a juventude, vim de família evangélica. É um lugar onde me sinto muito bem, aprendo a amar, a respeitar, e tenho minha fé em Deus. Isso não faz com que eu me sinta melhor ou pior do que ninguém. Respeito e amo todo mundo. 

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Precisou fazer algum trabalho físico ou mental para interpretar o Átila? Teve uma mudança física. Tive uma preparação com endocrinologista, nutricionista, personal. Tive que malhar bastante para botar o shape de um militar.

Você também passou por transformação física importante para interpretar Anderson Silva. Essa experiência facilitou Emergência 53? Isso acontece muito comigo. Meus personagens são ou muito magros ou muito fortes. Então procuro sempre estar no meio do caminho entre o forte e o magro. E, no caso do Anderson Silva, por ser lutador diferente de todos os outros, sem corpo musculoso, tivemos que reduzir minha massa muscular. Eu perdi 10 quilos. 

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Qual das duas transformações físicas foi mais difícil de conciliar com a sua rotina? Fazer o Anderson foi mais difícil, mais complexo. Tinha o fato de ser o primeiro trabalho a me lançar dentro do audiovisual, e isso acompanha responsabilidade muito grande. Imagina ser um cara cujo primeiro grande trabalho é interpretar uma lenda viva. 

Em que momento decidiu que queria ser ator? Tenho 18 anos de carreira, comecei novo. Isso começou com minhas irmãs. Elas são gêmeas e, na minha infância, faziam curso de passarela, de moda. Um dia, minha mãe me levou ao curso para fazer companhia para ela enquanto as duas estavam na aula. Quando me viu, a professora me convidou para assistir à aula. Não lembro o que aconteceu, mas depois que a aula acabou, a professora chegou e afirmou: ‘É nele que você tem que investir. Quem vai te trazer retorno é ele’. Depois disso, minha mãe começou a me colocar em cursos. Passei para o Tablado, fiz Nós do Morro, comecei no teatro e foi onde as coisas começaram a andar na minha vida.

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Quais foram os principais desafios para se estabelecer como ator?Vontade de desistir eu já tive inúmeras vezes, mas felizmente sempre chegavam oportunidades para mim. Acredito que o maior desafio foi a partir dos 20 anos. É a época em que secomeça a namorar, tem vontade de sair, viajar, conhecer lugares, e a arte em si não trazia retorno. Ficava pensando em largar tudo e arrumar um emprego CLT para ter condição de fazer essas coisas. O que me ajudou nesse período foi o trabalho como motorista de aplicativo, porque pude conciliar com a arte. Fiquei três anos como motorista. O aplicativo me ajudou a não desistir da carreira e ter  condição financeira de poder sair com a namorada, com amigos, viajar, conhecer lugares.

Chegou a ser reconhecido por algum passageiro? Já sim. Na época fazia muita publicidade, e volta e meia alguém me reconhecia por causa de comerciais ou de banners. Ficava envergonhado, mas com orgulho de poder trabalhar. 

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