Os ETFs, fundos de investimento negociados em Bolsa que acompanham índices de mercado, vêm conquistando cada vez mais espaço entre investidores brasileiros. Impulsionado pela busca por diversificação, custos reduzidos e maior eficiência na construção de carteiras, o segmento alcançou 91 bilhões de reais sob gestão e mais de 919 mil investidores em 2025, segundo dados da B3.
O crescimento acompanha uma tendência global. Atualmente, os ETFs movimentam quase 20 trilhões de reais em patrimônio ao redor do mundo e vêm se consolidando como uma alternativa para quem busca exposição a diferentes classes de ativos sem a necessidade de selecionar individualmente cada investimento.
No Brasil, o mercado conta com cerca de 140 ETFs listados e aproximadamente 20 gestoras especializadas. Embora ainda esteja distante da maturidade observada em países como os Estados Unidos, o segmento tem apresentado expansão consistente nos últimos anos.
Para Gabriel Cintra, CIO da Eleva Invest, o avanço da indústria amplia as possibilidades de construção de portfólios mais eficientes. Segundo ele, a variedade de produtos disponíveis permite que investidores tenham acesso a diferentes mercados e estratégias com maior flexibilidade. “Hoje existe uma oferta muito mais ampla e sofisticada de ETFs em diferentes classes de ativos. Isso amplia as possibilidades de diversificação e permite estratégias de investimento mais eficientes, com custos competitivos e maior flexibilidade para diferentes perfis de investidores”, afirma.
Além da diversificação, os ETFs também têm provocado mudanças em toda a indústria de investimentos. Com taxas geralmente mais baixas e maior transparência, esses produtos aumentam a concorrência e pressionam gestores tradicionais a rever custos e estruturas de cobrança. “Os ETFs aumentam a competitividade do mercado. Já vemos fundos ativos reduzindo taxas de administração e, em alguns casos, deixando de cobrar taxa de performance. Isso melhora o ambiente para o investidor e aumenta a pressão para que toda a indústria busque mais eficiência”, destaca Cintra.
Outro fator que contribui para o avanço dos fundos de índice é o fortalecimento do modelo fee-based, no qual a remuneração dos consultores financeiros não está vinculada à distribuição de produtos específicos. Na avaliação do especialista, isso permite uma análise mais focada na eficiência da carteira e nos objetivos do investidor.
Os ETFs também vêm atraindo atenção por características como liquidez diária em Bolsa, transparência na formação de preços, facilidade de acesso a mercados internacionais e vantagens tributárias em determinados casos. Segundo levantamento apresentado pela Eleva Invest, a diferença de rentabilidade acumulada entre ETFs sem come-cotas e fundos tradicionais sujeitos à antecipação semestral do Imposto de Renda pode chegar a aproximadamente 5% ao longo de três anos.
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