Brasília
Um problema nos sistemas do Banco Honda atrasou a concessão de financiamentos dentro do Move Motos, programa do governo para compra de motocicletas por entregadores. A falha dificultou o emplacamento de mais de 3.000 motos financiadas por meio da linha.
Com isso, o Banco Honda ficou atrás da concorrência nos financiamentos já concedidos via Move Brasil: foram, até agora, 3.286 formalizados pela instituição, contra os 5.775 de financeira ligada à rival Yamaha. Caixa e Banco do Brasil vêm atrás, com 3.069 e 2.134 financiamentos, respectivamente.
Os dados são públicos e abrangem as operações garantidas pelo FGO (Fundo de Garantia de Operações), fundo gerido pelo Banco do Brasil que protege até 100% de cada operação do programa, com limite de 50% da carteira das instituições.
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Rafaela Araújo – 1.jul.2026/Folhapress
O volume contratado é de R$ 306 milhões, e a maioria (67%) dos 14.264 financiamentos foi fechada no mês de agosto.
A Folha apurou junto a um funcionário do Banco Honda que os sistemas internos da financeira não estavam prontos na data de lançamento oficial do programa do governo federal, no final de julho. Por isso, o banco só começou a rodar o crédito do Move Motos no dia 17 de agosto.
Até o momento, foram mais de 7.000 propostas aprovadas por meio do banco da montadora japonesa, em número que inclui tanto contratos já fechados quanto acordos que não se concretizaram. O ticket médio é de cerca de R$ 21.000, e a maioria dos contratos tem prazo de quatro anos.
A moto mais financiada pelo Banco Honda até o momento é a CG Titan, de 160 cilindradas e motor flex.
Em nota, o Banco Honda afirmou que observou problemas pontuais no período de implementação de uma nova plataforma contratada para operar o Move Brasil Motos, mas disse que essas dificuldades foram solucionadas prontamente.
O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), responsável pelo desenho do Move Motos, pediu que a reportagem procurasse a Honda.
Já o Banco do Brasil afirmou que o Move fortalece a oferta de crédito destinada à renovação de frota, ampliando as oportunidades de atendimento aos clientes e contribuindo para a modernização da mobilidade no País.
“Nesse contexto, as linhas de crédito Move Brasil Táxi e Aplicativos e Move Brasil Motos passam a integrar de forma permanente o portfólio de soluções de financiamento do Banco do Brasil, [que já] realizou mais de R$ 2,7 bilhões em negócios e atendeu mais de 25 mil clientes”, disse o banco.
Caixa Econômica Federal e Yamaha não responderam aos questionamentos da Folha.
Segundo a pessoa ouvida pela reportagem, a falha técnica do Banco Honda envolveu a empresa terceirizada pelo banco para enviar ao Detran os dados do financiamento das motos.
Uma falha na plataforma implementada por essa empresa impediu o envio dos dados, que chegaram a ser remetidos manualmente durante um período para evitar que os entregadores perdessem o prazo de 30 dias para emplacar o veículo novo.
Em nota, a Honda confirmou ter implementado uma nova plataforma para operar os financiamentos do Move, incluindo o registro de garantia e registro dos contratos de financiamento, mas disse que as ocorrências, pontuais, foram solucionadas dentro do prazo legal.
“Assim que identificadas, o Banco Honda adotou as medidas necessárias para solucionar as ocorrências e normalizar as operações da plataforma”, disse a empresa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o programa Move Motos em junho deste ano, como parte de um pacote de bondades lançadas em ano eleitoral. O programa concede financiamentos a juros mais baixos para motoboys, mototaxistas e entregadores de aplicativos como iFood, 99Food e Keeta.
O programa tem juro de 12,5% ao ano, carência de dois meses e prazo de até 48 meses para pagar. Entregadores ativos nas plataformas de delivery ou com registro em carteira há pelo menos seis meses podem participar –no caso das plataformas, o trabalhador precisa ter completado 100 corridas.
Além do programa para entregadores, o governo federal também contemplou motoristas de aplicativo, taxistas, caminhoneiros, empresas de logística e empresas do agronegócio nas diferentes linhas de crédito do Move Brasil.
Na semana passada, o governo divulgou o número de 19.000 motos vendidas pelo Move Brasil. Procurado, o Ministério da Indústria (Mdic) não soube dizer o volume total de veículos financiados e nem se os dados do FGO representam a totalidade dos financiamentos via Move.
Caixa, BB, Yamaha e Honda não divulgaram o número de motos financiadas por meio do programa, mas a Caixa e a Yamaha afirmaram que todos os financiamentos têm garantia do FGO. A Folha apurou que o mesmo vale para o Banco do Brasil.
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