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FT: Os melhores livros de economia do 1º semestre de 2026 – 26/06/2026 – Economia

Martin Wolf, comentarista-chefe de economia do Financial Times, seleciona suas melhores leituras de economia do primeiro semestre deste ano.

  • “The Republic of Innovation: A New Political Economy of Freedom”, de Andrea Lorenzo Capussela

Esta é uma obra original e provocativa sobre como combinar liberdade com prosperidade. A resposta, sugere o autor, que é pesquisador visitante na London School of Economics, “repousa nas sinergias entre a liberdade republicana e a destruição criativa schumpeteriana” e, portanto, entre reforma política e econômica.

Para alcançar essa transformação, ele argumenta que devemos ir muito além da definição liberal de liberdade como “não interferência” para um ideal republicano mais profundo de “não dominação” por poderes públicos e privados. O ideal é radical. Pode não ser viável. Mas é definitivamente atraente.

  • “Money Beyond Borders: Global Currencies from Croesus to Crypto”, de Barry Eichengreen

Eichengreen é o decano dos especialistas em sistema monetário internacional. Neste livro oportuno, ele coloca as preocupações atuais sobre o papel global do dólar em seu contexto histórico. Ele observa, acima de tudo, que as moedas internacionais têm sido nacionais ou, no caso do euro, regionais.

Isso cria uma tensão, e há um benefício global em ter uma moeda internacional comum. Mas sua aceitabilidade depende da confiança no emissor específico. Mudanças tecnológicas também podem revolucionar o sistema monetário internacional. Hoje, ambas as forças estão minando a primazia até então inquestionável do dólar.

  • “Recession: The Real Reasons Economies Shrink and What to Do About It”, de Tyler Goodspeed

Este é um livro revolucionário e estimulante. A partir de uma análise rigorosa de séculos de história econômica, Goodspeed desafia a sabedoria convencional sobre a ocorrência e a suposta natureza “purificadora” das recessões.

Ele argumenta que crises não seguem invariavelmente booms insustentáveis, acrescentando que, “alguns anos após uma recessão, as economias tipicamente se parecem notavelmente com o que teriam sido se tivessem continuado ininterruptamente ao longo das tendências de longo prazo”. Só podemos desejar que essa conclusão feliz descrevesse a quase estagnação da economia do Reino Unido pós-2007.

  • “Two Paths to Prosperity: Culture and Institutions in Europe and China”, de Avner Greif, Joel Mokyr e Guido Tabellini

Este livro aborda a questão fundamental de por que a Europa e depois os desdobramentos europeus, notadamente os Estados Unidos, conseguiram avançar tanto em relação às outras grandes civilizações, incluindo a China, tanto tecnológica quanto economicamente, entre os séculos 17 e 20.

A resposta foca o papel das instituições sociais: a Europa desenvolveu instituições corporativas e mercados, que não se baseiam nem em laços de família, tribo ou casta, nem nos comandos de uma burocracia centralizada, sendo as cidades autônomas um bom exemplo. Tais arranjos impessoais e também voluntários podiam operar entre pessoas não relacionadas através de vastas distâncias. O argumento é revelador.

  • “Challenging Inequalities: How We Got Stuck and Where We Go Next”, de Paul Johnson

Johnson foi, até recentemente, diretor do Institute for Fiscal Studies. Neste importante livro, ele resume o resultado de um estudo de cinco anos sobre a desigualdade no Reino Unido, presidido pelo Prêmio Nobel Angus Deaton.

O livro chega a cinco conclusões importantes sobre “enfrentar as desigualdades”: primeiro, a desigualdade de oportunidades está diretamente conectada à desigualdade de resultados; segundo, a redistribuição importa, mas também “o status e a dignidade” que vêm de moldar o próprio destino; terceiro, políticas sobre comércio, imigração ou clima devem levar em conta o impacto sobre a desigualdade; quarto, processos de mercado aparentemente “justos” podem ter consequências deletérias para a desigualdade; e, finalmente, o crescimento ainda importa.

  • “The Shortest History of Innovation”, de Andrew Leigh

Leigh é autor de “The Shortest History of Economics”. Neste novo livro, ele analisa a história da faculdade mais notável da humanidade, a capacidade de inovar. Das ferramentas de pedra à IA (inteligência artificial), a humanidade encontrou novas formas de fazer as coisas —algumas grandes e muitas pequenas.

Ele argumenta que há três capacidades por trás da inovação: “experimentação, equipes e comércio” ou, em outras palavras, tentativa e erro, cooperação e troca. A inovação, por sua vez, presenteou os humanos com um poder extraordinário sobre o planeta. O livro resume de forma elegante a história inquieta, ocasionalmente aterrorizante, dessa faculdade exclusivamente humana.

  • “The Common Good Economy: A New Compass”, de Mariana Mazzucato

Este é, como se esperaria desta autora, um livro ambicioso. Não é nada menos que um argumento para reconstruir radicalmente nossas economias de acordo com “o bem comum”. A autora, professora na University College London, defende uma nova bússola: primeiro, incorporar propósito no coração da governança econômica; segundo, exigir cocriação e participação em todos os níveis; terceiro, tratar o conhecimento como bem comum; quarto, garantir acesso para todos e recompensar o compartilhamento; e finalmente, insistir em transparência e prestação de contas.

Esta seria uma reforma econômica enraizada em mudança política radical. Admiro a ambição.

  • “The Broken China Dream: How Reform Revived Totalitarianism”, de Minxin Pei

Costumava-se pensar que a reforma econômica orientada para o mercado levaria a China em uma direção mais liberal. Neste importante livro, Pei, um distinto estudioso da política chinesa, argumenta que isso provou ser o oposto da verdade.

Deng Xiaoping empregou a reforma capitalista não para acabar com a ascendência do Partido Comunista, mas para defendê-la. Ele demonstrou esse objetivo ao esmagar o protesto da praça Tiananmen, em 1989. Posteriormente, conflitos entre facções poderosas abriram espaço para debate. Mas, sob Xi Jinping, a liderança conseguiu exercer o controle totalitário que os avanços tecnológicos da China haviam tornado viável.

  • “The Unanchored Central Banker: Demography, Fiscal Instability, and an Erosion of the Central Bank’s Inflation-Fighting Ability”, de Manoj Pradhan e Charles Goodhart

Este é uma continuação de “The Great Demographic Reversal”, dos mesmos autores. Neste último, eles argumentaram, corretamente, que a combinação de desglobalização com envelhecimento geraria inflação e taxas de juros mais altas e pressões fiscais crescentes.

Agora, de forma igualmente provocativa, eles argumentam que os bancos centrais perderão sua capacidade de “ancorar” as expectativas inflacionárias como resultado, acima de tudo, de fortes pressões fiscais, dívida pública disparada e um enfraquecimento dos efeitos desinflacionários da globalização. O caos nos aguarda.

  • “The Doom Loop: Why the World Economic Order Is Spiraling into Disorder”, de Eswar S. Prasad

Prasad, da Universidade Cornell, é um especialista de destaque na economia global. Neste livro, ele observa que “a competição intensificada no mercado pelo poder global está fomentando desestabilização e tribalismo enquanto o mundo cambaleia em direção a uma nova ordem na qual a instabilidade parece típica”.

Além disso, “as forças que deveriam estar empurrando o mundo em direção ao equilíbrio estão aprofundando as fissuras e incitando a desordem em vez de promover a estabilidade”. Ele caracteriza isso como um “ciclo de destruição”. A análise das forças em ação é convincente. As esperanças de um futuro melhor são perturbadoramente escassas.

  • “Keynes for Our Times”, de Robert Skidelsky

O autor morreu em abril. Neste breve livro, ele atualizou o trabalho de toda a sua vida sobre o economista John Maynard Keynes. O que, ele pergunta, Keynes gostaria de dizer às pessoas de hoje? Ele responde que “a noção de Keynes da economia como meio eficiente para a boa vida implica que a atividade econômica proposital deveria parar quando as pessoas tiverem recursos suficientes para viver bem”.

O grande ponto que o livro traz é que Keynes sempre foi tanto filósofo quanto economista. Como ambos, mostra o autor, ele permanece relevante e desafiador hoje.

  • “We Need to Tax Billionaires”, de Gabriel Zucman

Um princípio fundamental de qualquer democracia verdadeira tem que ser a igualdade de contribuição. O indicador óbvio de que isso está acontecendo é que as pessoas pagam impostos pelo menos em proporção às suas rendas. Mas, como Zucman, um especialista mundial em tributação, observa, os super-ricos não o fazem.

Isso ocorre em grande parte porque eles pagam uma taxa negligenciável de Imposto de Renda, o que, por sua vez, acontece porque sua renda se acumula livre de impostos dentro de holdings e é então finalmente transferida para seus herdeiros livre de impostos.

Além disso, ele argumenta que esse problema é tão grave na Europa quanto nos EUA. Zucman sugere que a solução é um imposto mínimo de 2% sobre a riqueza de indivíduos com patrimônio acima de € 100 milhões. Seu argumento é poderoso.

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