O governo Lula já trabalha com a decisão do governo dos Estados Unidos de tarifar o Brasil e, por isso, discute quais serão os discursos de defesa a depender dos argumentos dos norte-americanos.
A decisão final só será comunicada até quarta-feira (15), mas integrantes do governo federal acreditam que a maior probabilidade é que o governo Trump anuncie a tarifa de 25% aos produtos brasileiros.
Mesmo assim, as negociações continuam e o governo aposta em uma ampliação da lista de exceções. Quando anunciou a investigação com base na Seção 301, o governo Trump retirou alguns produtos da possível taxação, como carnes, frutas, café, cereais e sementes.
O cenário visto como mais provável pelo Brasil é a aplicação do tarifaço sob o argumento de que as práticas comerciais brasileiras são desleais, como o Pix e o desmatamento.
Neste caso, o governo brasileiro deve reagir firme defendendo o mecanismo de pagamento e desmentindo informações sobre os dados de florestas desmatadas.
O governo, no entanto, não descarta um adiamento do tarifaço, apesar de ver essa opção como pouco provável. Na melhor das hipóteses, os EUA adiariam a aplicação das tarifas porque ainda há negociações em curso com o governo brasileiro.
Mas, nos bastidores, um cenário levado em conta é a atuação da ala ideológica do governo Trump nessa decisão final, que poderia creditar um adiamento das tarifas ao pedido de Flávio Bolsonaro (PL).
Nos EUA, o bolsonarista disse que esse “não é o momento ideal para aplicar as tarifas” e pediu que o governo norte-americano volte a discutir o assunto apenas após as eleições.
Neste caso, o governo brasileiro já tem uma linha de defesa: a soberania brasileira. A tese a ser defendida é de que há um problema de credibilidade em que fica evidente mais um caso grave de ingerência na política externa.
A avaliação feita por interlocutores do presidente Lula (PT) é de que tem ficado mais claro que os argumentos apresentados não são levados em conta pelos norte-americanos.
Nem o que é dito pelo governo nem o que foi propagado por empresários na audiência pública da semana passada.
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