A proposta de US$ 40 milhões apresentada pela HW Holding, de Dubai, pode resultar em uma troca de controle da Paranapanema. A primeira metade do aporte, destinada à aquisição de debêntures, coincide com uma emissão capaz de entregar ao novo investidor mais de 92% das ações da companhia.
A 11ª emissão prevê a captação mínima de R$ 100 milhões — valor equivalente a aproximadamente US$ 20 milhões — e será obrigatoriamente convertida em ações a R$ 0,029 por papel. O preço corresponde a apenas 10% da média ponderada das cotações dos 30 pregões anteriores à operação.
Se um único investidor subscrever o valor mínimo, poderá receber cerca de 3,45 bilhões de ações. Pelos cálculos divulgados pela própria Paranapanema, a diluição da atual base acionária chegaria a 92,07%. No valor máximo da emissão, de R$ 110 milhões, alcançaria 92,73%.
Os atuais acionistas terão direito de preferência. O saldo não subscrito, porém, será oferecido em setembro a investidores previamente identificados. A Paranapanema ainda não confirmou que a HW está entre eles, mas o valor, a destinação e o calendário da debênture coincidem com a proposta da holding.
O cronograma também conversa com o acordo firmado com os 11 bancos credores da companhia. As instituições adiaram para 30 de setembro o prazo para o pagamento de R$ 100 milhões. Pela emissão, o dinheiro dos investidores deve entrar até 11 de setembro.
A segunda metade do aporte prometido pela HW seria destinada à compra de matéria-prima e ao capital de giro. A holding, entretanto, permanece opaca: seu site não identifica administradores, beneficiários finais ou investimentos anteriores, e o domínio foi registrado apenas em abril.
Caso a conversão concentre mais de 92% das ações em um único investidor, a Paranapanema também terá de explicar como pretende recompor o percentual mínimo de ações em circulação exigido pelo Novo Mercado. Procurada, a companhia ainda não respondeu se a HW será a subscritora da debênture nem quem são os donos efetivos da holding.
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