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Mercado em correção aguarda a “Super Quarta” do Copom por sinais sobre juros, enquanto o Boletim Focus reduz projeção de inflação para 2026. Tensões geopolíticas e déficit em transações correntes do Brasil adicionam cautela, com analistas prevendo uma semana instável e sem altas expressivas para o Ibovespa.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira, 26, em uma dia marcado pela correção de ativos com investidores à espera da Super Quarta. O mercado também aguarda o número da prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, dados fiscais, do setor externo e do mercado de trabalho, que devem sair ao longo da semana.
Por volta das 11h30min, o Ibovespa subia 0,51%, a 177.946,27 pontos. O dólar recuava 0,31%, a 5,273 reais. Segundo Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, o mercado eleva a pressão em busca de alguma sinalização do BC para o ciclo de corte de juros, que pode ser desenhado nesta quarta-feira com a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
Mais cedo, o setor financeiro reduziu a previsão de inflação de 2026 de 4,02% para 4%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. Trata-se da terceira semana consecutiva de corte nas projeções deste ano. Com isso, a inflação prevista segue abaixo do teto da meta, que é de 4,5%, mas acima de seu centro de 3%. A projeção do Focus contou com 151 instituições consultadas. No documento, o BC mostrou que o investidores esperam que a taxa básica de juros da economia, a Selic encerre 2026 cotada a 12,25%.
“Essas previsões do mercado em semana de Copom jogam pressão para que o BC comece a sinalizar quando deve começar o corte de juros.”, diz. “Isso porque os comunicados da equipe de Gabriel Galípolo apenas reforçaram que a Selic ficaria elevada por um período prolongado”, explica Sant’Anna.
Além disso, o cenário internacional segue turbulento com as tensões geopolíticas causadas por Donald Trump. O presidente americano ameaçou de tarifar o Canadá em até 100% caso o país feche um acordo comercial com a China. O primeiro ministro canadense, Mark Carney, detalhou que o país não faria um acordo do livre comércio com a China.
Ainda nesta segunda-feira, estatísticas do setor externo divulgadas pelo Banco Central mostram que o Brasil encerrou 2025 com um déficit acumulado em transações correntes de 68,8 bilhões de dólares. O resultado foi maior que os 66,2 bilhões reportados no ano retrasado, refletindo a queda do superávit comercial.
As transações correntes representam o saldo do total de pagamentos e de recebimentos de recursos a cargo do governo, das empresas e dos indivíduos em operações realizadas com parceiros no exterior. Nesta conta, estão incluídos desde os juros que o governo paga por suas dívidas até as exportações e importações de bens e serviços, passando pelos gastos de turistas no exterior e os investimentos diretos feitos por companhias estrangeiras no Brasil.
Em suma, o déficit das transações correntes de 2025 correspondeu a 3,02% do produto interno bruto (PIB). O percentual é praticamente o mesmo dos 3,03% relatados em 2024. Em um ano marcado pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quase todos os países, o Brasil viu seu saldo comercial recuar 8,9% e somar 60 bilhões de dólares. Apesar disso, as exportações bateram recorde e somaram 350,9 bilhões de dólares, enquanto as importações alcançaram 290,9 bilhões – também as maiores da série histórica.
Diante dos dados e da expectativa para a Super Quarta, Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirma que o mercado acionário brasileiro pode entrar em correção nesta semana. Na visão dele, investidores podem desfazer posições nos próximos dias caso comunicado do BC brasileiro tiver um tom duro. “A semana não tem uma agenda favorável e repleta de notícias positivas”, explica. “As únicas coisas que poderia fazer o Ibovespa subir após o recente rali seriam cortes de juros no Brasil e Estados Unidos, mas isso não é o que o mercado espera”, conclui Mollo.
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