iFood: ex-funcionário é alvo de busca no Rio por dados – 18/09/2026 – Negócios


São Paulo


A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou operação de busca e apreensão contra um ex-funcionário do iFood em um processo de investigação por espionagem industrial. As suspeitas que recaem sobre ele são de que teria levado consigo, ao sair da empresa, informações sigilosas e confidenciais à 99Food.

Trata-se de um profissional da área de vendas. Ele teria pedido demissão em abril do ano passado para trabalhar na concorrente chinesa, que chegava ao mercado de delivery carioca. O mandado de busca e apreensão foi expedido pela Justiça em janeiro deste ano e executado pela polícia na quarta-feira (16).

Em nota, a 99Food afirma tratar “relatos como este com seriedade e reforça que não tolera qualquer conduta que envolva o uso de dados obtidos por meios ilegais”. Segundo o app, a pessoa mencionada não integra o quadro de colaboradores da empresa.

“Nossa atuação segue um código de conduta rigoroso, com políticas reforçadas periodicamente por meio de treinamento, monitoramento e responsabilização”, diz nota enviada à Folha.



Entregador do iFood; empresa processa concorrentes contra concorrência desleal e espionagem


Cristiane Gercina/Folhapress

O iFood informa que fez a denúncia para que se possa descobrir como dados confidenciais foram usados e com quem foram compartilhados. “Há indícios de que o ex-funcionário tenha trabalhado em uma plataforma concorrente. O iFood está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para proteger seus dados, seus parceiros e o ecossistema de delivery”, diz nota.

Segundo informações obtidas pela reportagem, antes de pedir demissão, o funcionário —um executivo da área de vendas— teria conseguido habilitar seu email pessoal no computador utilizado para trabalhar e fazer download de dados confidenciais, incluindo condições comerciais negociadas com clientes, volume de vendas, pedidos e estratégias.

Os dados envolveriam também informações sigilosas de restaurantes parceiros. Com essas provas, o aplicativo foi à Justiça e fez o pedido para busca e apreensão. Este não é o primeiro caso de pedido de investigação pela plataforma. Em São Paulo, também há uma inquérito semelhante na Polícia Civil.

Há um processo na Justiça contra outra concorrente que pede indenização de R$ 1 milhão por concorrência desleal, conforme regras previstas nos parágrafos 9 e 12 do artigo 195 da LPI (Lei de Propriedade Industrial). O iFood afirma que há ainda, nas redes sociais, assédio contra seus funcionários.

Em entrevista exclusiva à Folha nesta semana, Diego Barreto, CEO do iFood, comentou as ações de espionagem industrial. Ele se disse admirador da China em diversos aspectos, mas afirma que a concorrência agressiva por parte de empresas —que não representariam todo um país— é “revoltante”.

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“É um país que é uma referência em muitas coisas para todos nós do mundo inteiro, mas é inegável que existe um comportamento de uma empresa que mancha isso”, disse.

Barreto lembrou que, para se chegar a uma das ações de espionagem industrial, foi preciso recorrer a uma quebra de sigilo de plataforma online nos Estados Unidos. “A quebra do sigilo dos Estados Unidos nos permitiu enxergar [espionagem]. Então, a Justiça no Brasil, ela é lenta, mas ela chega.”

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