[the_ad_group id="564"]
[the_ad_group id="566"]

Jeffrey Gale Williamson – 05/09/2026 – Samuel Pessôa

Morreu no dia 29 de agosto o historiador econômico americano Jeffrey Williamson. O pesquisador se dedicou a estudar o desenvolvimento da economia global do final do século 18 até o fim da Pax Britânica, com a Primeira Guerra Mundial.

O tema de Williamson era estudar o papel da economia global na formação da grande divergência entre as diversas periferias —leste da Europa, América Latina, Império Otomano, Índia, Filipinas, Indonésia, China e Japão— e o centro, as economias da Europa Ocidental.

O argumento, com muitas diferenças, lembra o modelo centro-periferia da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina). Williamson documenta que houve forte desindustrialização na Índia e no Império Otomano, do final do século 18 até o terceiro quarto do século 19. A demanda por matérias-primas gerava grandes ganhos de termos de troca na periferia, que desestimulavam a indústria existente.

Na Índia, problemas climáticos e a desorganização do Império Mogol, em associação com ganhos moderados de termos de troca, produziram forte desindustrialização.

O México sofreu desindustrialização na primeira metade do século 19. A partir do terceiro quarto do século, os termos de troca deixaram de se elevar e uma política mais consistente de desenvolvimento industrial teve o resultado almejado, principalmente na indústria têxtil.

A partir de cuidadosos estudos com bases de dados primárias, Williamson mostrou que a América Latina empregou tarifas de importação muito elevadas e, a partir do final do século 19, havia claros sinais de uma política intencional de industrialização.

Para o Brasil, Williamson documentou que tivemos, de 1870 até a Primeira Guerra, certa estabilidade dos termos de troca. Praticamos tarifas muito elevadas de importação de bens manufaturados e as tarifas de importação de alimentos, principalmente grãos, eram relativamente baixas. O barateamento dos alimentos ajudava a reduzir o custo do trabalho e estimulava a industrialização.

Olhando os achados de Williamson para o Brasil, ao contrário do que imaginamos, não fomos mal, do final do Império e até a Primeira República, no estímulo à industrialização, em comparação com os demais países da região.

Onde fomos muito mal, e carregamos essa cruz até hoje, foi no investimento na escolarização.

Esses e muitos outros achados estão no excelente livro de Williamson de 2011, “Trade and Poverty: When the Third World Fell Behind” [“Comércio e Pobreza: Quando o Terceiro Mundo Ficou para Trás”, não publicado no Brasil] que resume 50 anos de muita pesquisa.

Um trabalho menos conhecido de Williamson foi publicado em 2005 no Journal of Economic Growth em colaboração com Kevin O’Rourke. No estudo, eles documentam quantitativamente que David Ricardo estava certo: a continuidade da Revolução Industrial na Inglaterra foi estimulada pela liberalização do comércio que ocorreu com o fim da Lei dos Cereais, na década de 1840.

A abertura da Inglaterra à importação de alimentos elevou os salários e reduziu a renda da terra, liberando trabalho para a indústria. No estudo, eles apontam uma clara quebra estrutural na razão renda da terra/salários para a Inglaterra na década de 1840: ela deixa de crescer e passa a cair rapidamente.

Uma vez conversei rapidamente com Williamson quando cá esteve na FEA-USP. Muito atencioso, desprendido, compartilhava suas séries com quem as pedisse. Até hoje tenho comigo a série de termos de troca do Brasil desde o século 19, que ele me enviou.

Fica minha gratidão.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Fonte: Link da fonte

[the_ad_group id="566"]

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore