Lula promete reforçar Defesa com 28% da verba livre da pasta bloqueada

A promessa de Lula de ampliar os investimentos militares esbarra, por enquanto, nas decisões orçamentárias de seu próprio governo. Dos 15,55 bilhões de reais destinados às despesas discricionárias e ao PAC do Ministério da Defesa, 4,34 bilhões de reais estão bloqueados — o equivalente a 27,9% dos recursos que a pasta pode efetivamente manejar.

A trava é quase quatro vezes maior do que a média de 7,3% aplicada ao Executivo. Sozinha, a Defesa concentra 30,7% de todo o bloqueio imposto às despesas discricionárias e ao PAC do governo. Na revisão publicada na semana passada, a pasta recuperou apenas 19 milhões de reais dos 4,54 bilhões liberados aos órgãos federais.

Três dias depois, durante a convenção que oficializou sua candidatura, Lula afirmou que o Brasil “precisa investir na Defesa” e prometeu levar o assunto “muito a sério” em um eventual quarto mandato. Disse ainda que o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ajudará mais a indústria militar.

O governo tenta reforçar os projetos estratégicos ainda neste ano com outros 2,5 bilhões de reais. O dinheiro, porém, seria antecipado do limite previsto para 2027. O projeto enviado ao Congresso autoriza a despesa adicional agora, mas determina que o mesmo valor seja descontado no próximo exercício. Na prática, transfere recursos do ano seguinte para o ano eleitoral.

A proposta foi aprovada pelo Senado por 69 votos a zero em maio e ganhou urgência na Câmara em julho, mas ainda aguarda votação no plenário. Enquanto isso, o bloqueio permanece. O Ministério da Defesa tem até 6 de agosto para indicar quais programas terão as verbas efetivamente travadas.

A participação prometida ao BNDES também não veio acompanhada, até agora, de uma linha nova ou de recursos adicionais. O banco já aprovou 30,6 bilhões de reais na missão da Nova Indústria Brasil dedicada à soberania e à Defesa. Desse total, porém, 29,9 bilhões de reais — 97,9% — correspondem a crédito à exportação. Por enquanto, a promessa presidencial é de ampliar uma atuação que já existe, justamente quando o Orçamento caminha na direção contrária.

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