Marjorie Estiano, protagonista da série ‘Habeas Corpus’, a VEJA: “A Justiça é complexa”

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O que a atraiu para esse projeto? Falar sobre justiça é algo que me desperta muito interesse. Encaro como um serviço público. Aproximar o público um pouco mais do sistema judiciário constrói cidadania, como fizemos com a saúde pública em Sob Pressão, da Globo. E a trama fala de revisão criminal, que é o reexame de condenações injustas, um instrumento não só de reparação para uma pessoa, mas de fortalecimento da Justiça como um todo.

Sua personagem é uma professora de direito que escala alunos para provar a inocência de um condenado. Como foi o preparo para esse papel? Foi um processo feito com muita humildade, porque a Justiça é complexa. Conversei com os diretores do Innocence Project Brasil, ONG na qual a série é inspirada, que atua nessa área específica. Entendi que eles querem aprimorar o sistema judiciário e não desmerecê-lo. Também tive o auxílio de um advogado criminal que me apresentou o sistema na lida e me aproximei de várias gerações do direito, a fim de entender a visão de quem está começando e de quem já aprendeu com seus erros.

No começo, Habeas Corpus lembra um pouco How to Get Away with Murder, série estrelada por Viola Davis. Buscou inspiração nela? Nunca vi essa série e fiz questão de não assistir para evitar influência. O DNA da nossa série é brasileiro e retrata a nossa cultura e as nossas dificuldades. A minha melhor maneira de me preparar é sempre olhar para a vida real.

Atuar nesse projeto mudou sua perspectiva sobre nosso Judiciário? Sem dúvida. Compreendo melhor sua importância e vejo como ele é fundamental, precisa ser protegido e está em constante mutação por ser feito por nós, seres humanos falhos.

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A série também aborda questões sobre maternidade. Recentemente, sua fala sobre não querer ser mãe viralizou nas redes. Como se sentiu com isso? A minha relação com a maternidade é bem definida, nunca foi um sonho para mim. Acho que vira uma questão diante das cobranças do patriarcado e do conservadorismo — mas, para mim, nunca foi.

Sua última novela foi Império (2014). Como um folhetim pode despertar seu interesse hoje? Considero o tema, o propósito pessoal e coletivo, a equipe envolvida e o tempo de dedicação necessário. A novela é um produto fundamental da cultura brasileira, tenho muito orgulho das que fiz e adoraria voltar a fazer uma, desde que o projeto se encaixe nessas variáveis.

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Publicado em VEJA de 18 de setembro de 2026, edição nº 3013

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