O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o caixa do Banco Master dispunha de recursos suficientes para pagar apenas 10% do montante devido a investidores na forma de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) no momento da liquidação, no final de 2025. A revelação ocorreu durante depoimento de Galípolo à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta quarta-feira, 8.
“No dia da liquidação, o banco [Master] tinha em caixa um valor que era 10% do valor de vencimento que ele tinha para pagar naquele dia, efetivamente”, disse Galípolo. “E isso gera a liquidação do banco”, acrescentou.
Poucos meses após Galípolo assumir o comando do BC, a autoridade monetária constatou que o Master estava vendendo carteiras novas para ter mais liquidez, prática que chamou a atenção. “Em março [de 2025], o diretor de fiscalização [do BC, Ailton Aquino] sobe à presidência e diz que está fazendo a investigação das carteiras”, disse Galípolo na CPI. “Investigar significa encontrar evidências de que o empréstimo efetivamente ocorreu”, concluiu.
Questionado sobre o tempo que o BC levou para decretar a liquidação do Master, o presidente da autoridade monetária explicou que “a lei demanda que o BC esgote alternativas de mercado antes de liquidar o banco, porque é a menos custosa para o sistema”.
Sigilo do caso Master
As normas do BC determinam que informações sobre a liquidação do Master, assim como de outros bancos de porte similar, fiquem sob sigilo durante oito anos, lembrou Galípolo. O presidente da autarquia defendeu que o rito seja seguido para evitar problemas no longo prazo. “É fundamental que seja seguido o rito mais estrito possível, justamente para evitar dar algum tipo de subsídio de eventual questionamento no futuro”, disse durante a CPI.
Ausência de Campos Neto
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também seria ouvido na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira, mas declinou o convite para falar. Ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e teve decisões favoráveis para não precisar comparecer nesta e em outras ocasiões. O escândalo do Banco Master teve início antes de 2025, portanto ocorreu durante o mandato de Campos Neto à frente do regulador.
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