A cápsula da SpaceX com os quatro astronautas da missão Crew-11 amerrissou às 5h42 desta quinta-feira (15) no oceano Pacífico, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. Eles voltaram da Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) após um deles apresentar um problema de saúde considerado sério.
É a primeira vez que a Nasa antecipa o retorno de uma missão da ISS, ocupada de forma permanente há 25 anos, por questões de saúde.
A tripulação Crew-11 é formada pelos americanos Zena Cardman, 38, e Mike Fincke, 58, da Nasa, pelo japonês Kimiya Yui, 55, da Jaxa, e pelo russo Oleg Platonov, 39, da Roscosmos. Eles estavam na estação espacial desde agosto e, originalmente, regressariam à Terra somente em maio.
Nesta quarta-feira (14), às 19h20, a nave com os quatro astronautas desacoplou da estação espacial e iniciou sua descida da órbita. Imagens ao vivo transmitidas pela agência espacial mostraram a cápsula se separando da ISS e se afastando do laboratório orbital a 418 quilômetros acima da Terra, ao sul da Austrália.
Dez horas depois, a cápsula desceu no mar com o auxílio de paraquedas, concluindo uma missão de 167 dias. Momentos depois, vários golfinhos foram vistos nadando perto da nave.
Em uma transmissão de rádio para o centro de controle de voo, Cardman disse que era “bom estar em casa”.
Menos de uma hora depois da amerrissagem, as equipes da SpaceX retiraram a cápsula da água. Às 6h29, Fincke foi o primeiro a deixá-la. Em seguida, saíram Cardman, Yui e Platonov. Ainda com seus trajes espaciais, todos sorriram e acenaram antes de serem encaminhados para uma avaliação em um hospital.
O plano de trazer os quatro membros da Crew-11 de volta algumas semanas antes do previsto foi anunciado no último dia 8 pelo administrador da Nasa, Jared Isaacman. Na ocasião, ele afirmou que um dos astronautas tinha uma “condição médica séria” que exigia atendimento na Terra.
A Nasa não identificou qual dos quatro membros da tripulação apresentou o problema médico nem qual era essa condição médica, com o argumento de que era necessário manter a privacidade dos astronautas.
No último dia 8, Fincke e Cardman fariam uma caminhada espacial de mais de seis horas para instalar hardware do lado de fora da estação. Um dia antes, porém, a caminhada foi cancelada devido ao que a Nasa caracterizou como uma “preocupação médica” com um dos astronautas.
Em uma entrevista concedida no mesmo dia 8, o diretor de saúde e medicina da Nasa, James Polk, disse que a emergência médica não teve ligação com as atividades executadas pelos astronautas no laboratório espacial. “Isso foi totalmente não relacionado a quaisquer operações a bordo. E, é claro, nós realizamos uma enorme quantidade de testes com os astronautas antes de irem para a órbita e eles estão acostumados com esses ambientes de operações.”
Segundo Polk, a ISS dispõe de um robusto conjunto de equipamentos médicos, porém não o suficiente para efetuar uma avaliação como gostariam nesse caso. Por isso, houve a decisão de antecipar o retorno. “Há uma questão pendente sobre qual é o diagnóstico. Isso significa que há alguns riscos em manter esse astronauta a bordo”, afirmou ele na ocasião.
Em uma publicação no Instagram há alguns dias, Fincke, concluindo a quinta missão espacial de sua carreira na Nasa, escreveu que os quatro membros da Crew-11 “estão todos bem”, acrescentando: “Todos a bordo estão estáveis e bem cuidados”.
“Essa foi uma decisão para permitir que as avaliações médicas adequadas aconteçam em terra, onde existe toda a capacidade de diagnóstico. É a decisão certa”, escreveu Fincke.
Permaneceram na estação espacial Sergei Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev, da Roscosmos, e Chris Williams, da Nasa.
Os três vão aguardar a chegada de uma nova missão, que está programada para 15 de fevereiro, mas a Nasa já anunciou que tentará antecipá-la. O lançamento em um foguete Falcon 9, com uma cápsula Dragon, vai ocorrer no cabo Canaveral, na Flórida.
Essa missão, chamada de Crew-12, terá quatro integrantes: Jessica Meir e Jack Hathaway, da Nasa; Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês); e Andrey Fedyaev, da Roscosmos. A previsão é que eles fiquem na estação espacial por nove meses.
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