O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, avaliou de forma positiva o saldo do Brasil-U.S. Industry Day, evento promovido pela entidade em Nova York para aproximar empresários, investidores e autoridades brasileiras e americanas em meio às discussões comerciais entre os dois países. Segundo ele, o encontro ajudou a consolidar um espaço permanente de diálogo econômico bilateral.
“Saímos muito satisfeitos. Alcançamos nosso objetivo principal: o de reunir um número expressivo e representativo de lideranças empresariais, investidores e autoridades para discutir temas estratégicos para o futuro da cooperação econômica bilateral”, afirmou Alban em entrevista a VEJA. Segundo o dirigente, o evento reuniu mais de 400 participantes, sendo cerca de 30% dos Estados Unidos.
O presidente da CNI afirmou que a entidade vem atuando desde o início das medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros para facilitar a interlocução entre os dois países. Alban relembrou que, no ano passado, a confederação liderou uma missão empresarial a Washington com cerca de 130 empresários brasileiros para defender a abertura de canais oficiais de negociação.
“Este ano coroamos esse esforço com a realização do Brasil-U.S. Industry Day”, disse. Segundo ele, o encontro consolidou “um espaço de alto nível” voltado à formulação de propostas para ampliar a competitividade industrial e fortalecer a diplomacia econômica liderada pelo setor produtivo.
Alban também destacou a criação do Brasil-U.S. Industry Award, premiação lançada durante o evento para reconhecer empresas e instituições que atuam na integração econômica entre os dois países. “Foi uma iniciativa inédita”, afirmou.
Ao comentar a estratégia da CNI para ampliar a aproximação com empresários americanos, Alban disse que o objetivo vai além do aumento das exportações brasileiras. Segundo ele, a entidade busca ampliar a integração produtiva e estimular parcerias industriais de longo prazo.
“Nós queremos gerar ganhos mútuos, aproveitando a convergência de objetivos e combinando a base produtiva e os recursos naturais do Brasil com a liderança tecnológica e a capacidade de investimento dos Estados Unidos”, declarou. O dirigente também afirmou que o Brasil pretende ampliar sua participação nas cadeias globais de suprimento e fortalecer setores estratégicos, como o de minerais críticos.
Segundo Alban, o encontro em Nova York abriu caminho para novas iniciativas conjuntas diante das transformações econômicas globais. “Tenho certeza de que o evento abriu o caminho para aprofundarmos essa integração e avançarmos em ações concretas que nos levem a ampliar a resiliência da economia e a competitividade dos dois países”, afirmou.
O presidente da CNI também comentou a expectativa da indústria em relação às negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Alban, o diálogo entre os chefes de Estado é essencial para preservar a relação bilateral em meio às divergências políticas.
“O diálogo entre os chefes de Estado é imprescindível para o avanço da relação bilateral”, disse. Segundo ele, a expectativa da CNI é que os temas estratégicos entre os dois países sejam tratados “de forma técnica e madura” e que as divergências políticas “sejam deixadas de lado”.
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