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O negócio bilionário que coloca o Brasil no centro da disputa mundial por terras raras

O Brasil entrou de vez no tabuleiro geopolítico dos minerais estratégicos do século 21.

A compra da mineradora Serra Verde, que opera em Goiás, pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões escancara o papel crescente do país na corrida global por terras raras, insumos essenciais para tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares.

A operação, financiada com apoio direto da Casa Branca, foi anunciada nesta segunda-feira, 20, sendo mais um um movimento dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China, que domina a cadeia global desses minerais.

Ao mesmo tempo, evidencia o potencial estratégico do território brasileiro, que possui algumas das maiores reservas do mundo ainda pouco exploradas.

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O que está em jogo: minerais críticos para a economia do futuro

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a transição energética e a economia digital.

Elas estão presentes em ímãs de alta performance usados em motores de carros elétricos, baterias, smartphones, turbinas eólicas e até armamentos sofisticados.

Hoje, a China responde pela maior parte da produção e, sobretudo, do processamento global desses materiais, etapa mais complexa e concentrada da cadeia.

Esse domínio se tornou um ponto de tensão geopolítica, especialmente após restrições de exportação impostas por Pequim em meio a disputas comerciais com os EUA.

Nesse contexto, garantir acesso a fontes alternativas virou prioridade estratégica para países ocidentais.

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Brasil: reserva gigante e potencial ainda subexplorado

É nesse cenário que o Brasil ganha protagonismo. O país detém uma das maiores reservas de terras raras do planeta, atrás apenas da China, mas ainda explora uma fração desse potencial.

A mina de Pela Ema, operada pela Serra Verde em Minaçu, no interior de Goiás, é atualmente a única em operação no país voltada à produção desses minerais em escala relevante.

A expectativa é que ela responda por cerca de metade da oferta global de terras raras pesadas fora da China até 2027, um dado que explica o interesse internacional.

Além disso, o Brasil combina fatores considerados estratégicos: estabilidade institucional relativa, abundância de recursos naturais e proximidade com mercados consumidores.

Estratégia dos EUA: construir uma cadeia fora da China

A aquisição da Serra Verde faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para criar uma cadeia integrada de produção de terras raras fora da órbita chinesa.

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A USA Rare Earth, que já recebeu promessas de até US$ 1,6 bilhão em apoio do governo americano, pretende atuar desde a mineração até a produção de ímãs, etapa de maior valor agregado. A ideia é reduzir vulnerabilidades em setores considerados críticos, como defesa e energia.

O movimento também dialoga com outras iniciativas recentes, incluindo financiamentos públicos, acordos de fornecimento de longo prazo e parcerias com países ricos em minerais estratégicos.

Impactos para o Brasil: oportunidade e dilemas

A entrada de capital estrangeiro reforça o potencial do Brasil como fornecedor global de minerais críticos, mas também levanta questões sobre soberania, agregação de valor e política industrial.

Historicamente, o país exporta commodities com baixo nível de processamento, capturando apenas parte da cadeia de valor.

No caso das terras raras, especialistas apontam que o desafio será avançar para etapas industriais mais sofisticadas, como refino e fabricação de componentes.

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Ao mesmo tempo, cresce a pressão por regulação ambiental e social, já que a mineração de terras raras pode gerar impactos significativos se não for bem controlada.

Nova geopolítica dos recursos naturais

A disputa por terras raras marca uma mudança estrutural na economia global. Se no século 20 o petróleo foi o principal recurso estratégico, agora são os minerais críticos que definem poder e influência.

Nesse novo cenário, o Brasil deixa de ser apenas um exportador tradicional de commodities e passa a ocupar posição central em uma disputa que envolve tecnologia, segurança nacional e transição energética.

A venda da Serra Verde é, nesse sentido, mais do que um negócio bilionário: é um sinal claro de que o país está no centro de uma nova corrida global por recursos. E que o jogo apenas começou.

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