O recado que Galípolo enviou a Lula no comunicado do Copom sobre a queda dos juros

Ao anunciar nesta quarta-feira, 5, o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros, a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) enviou um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Firme em sua disposição de conquistar um quarto mandato nas eleições de outubro, o petista tem apostado em políticas populistas que pesam nas contas públicas e estimulam o consumo em uma velocidade maior do que a produção é capaz de crescer. Tal descompasso aumenta a pressão sobre os preços e dificulta o trabalho da instituição presidida por Gabriel Galípolo de combater a inflação.

Por isso, no comunicado divulgado hoje em que informa um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, baixando-a para 14% ao ano, o Copom é explícito ao declarar que, entre os fatores que podem ressuscitar a inflação, estão os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”.

Em bom português, significa que o BC sente que continuará enxugando gelo, caso Lula inunde a economia com dinheiro de programas assistenciais para angariar votos em outubro. Apenas os investimentos no aumento da capacidade produtiva nacional serão capazes de equilibrar o cenário ao compatibilizarem a oferta e a demanda. Até que tais forças se equiparem, o Copom comandado por Galípolo avisa que o cenário “demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”. Sem isso, Lula não deve contar com o BC como cabo eleitoral.

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