O comportamento do petróleo após o anúncio de um entendimento entre Estados Unidos e Irã trouxe um recado pouco animador para quem aposta em uma queda mais acelerada dos juros. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que a reação da commodity revelou que o mercado ainda vê muitas incertezas pela frente, o que tende a manter a cautela dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.
O que o petróleo revelou sobre o cenário econômico?
Segundo Maílson, o anúncio do entendimento entre Washington e Teerã não provocou a forte queda nos preços que parte do mercado esperava. Para ele, o movimento mostra que investidores ainda desconfiam da efetiva implementação do acordo.
“O petróleo não teve a queda que se esperava, caiu apenas 5% hoje com o anúncio do acordo”, afirmou. Na avaliação do ex-ministro, a reação sugere que os riscos ligados ao conflito permanecem presentes e continuam alimentando preocupações com a inflação global.
Por que o acordo ainda não convenceu o mercado?
De acordo com Maílson, o entendimento anunciado está longe de representar uma solução definitiva para as tensões entre os dois países. Ele observou que o documento divulgado não configura um acordo formal e que os próximos meses serão decisivos para avaliar sua efetividade.
“Esse acordo não é definitivo. É o memorando de entendimento, nem chamam de acordo e, portanto, há muitas dúvidas sobre o desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias”, disse. Segundo ele, o processo ainda deverá atravessar um período de pelo menos 60 dias marcado por incertezas.
Como isso afeta as decisões sobre juros?
Para o economista, a persistência das dúvidas em relação ao cenário internacional reduz o espaço para movimentos mais agressivos de afrouxamento monetário. Ele lembrou que as pressões inflacionárias podem até perder força, mas continuam elevadas.
Maílson destacou que a inflação acumulada em 12 meses está em 4,2% nos Estados Unidos e em 4,72% no Brasil. Nesse contexto, afirmou, tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central brasileiro tendem a agir com prudência.
“Isso põe o Banco Central, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, em atitude de cautela para definir a taxa de juro e o andamento da flexibilização que se espera”, afirmou.
O que esperar da Super Quarta no Brasil?
Questionado sobre a decisão do Banco Central brasileiro, Maílson disse que sua expectativa continua sendo de um corte adicional de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Segundo ele, há quem defenda a interrupção imediata do ciclo de redução, diante do comportamento da inflação.
Ainda assim, sua projeção é de mais um corte antes da paralisação do processo. “Nós admitimos um novo corte de 0,25 e aí para”, afirmou. Na avaliação do ex-ministro, os juros encerrariam o ano em 14%, após a conclusão do ciclo de flexibilização monetária.
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