Pente-fino de Bolsa Família e BPC fica para depois das eleições

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O calendário do pente-fino dos benefícios sociais passou a terminar depois do calendário eleitoral. Em duas mudanças recentes, o governo Lula prorrogou a exigência de biometria e concordou em suspender o efeito automático da falta de entrevista domiciliar sobre a manutenção do Bolsa Família.

A dispensa da biometria, que terminaria em 30 de abril, foi estendida até 31 de dezembro de 2026 — depois dos dois turnos das eleições, marcados para 4 e 25 de outubro.

No segundo caso, um acordo entre MDS, INSS e Defensoria Pública, homologado pela Justiça, estabeleceu que, até julho de 2027, a falta do registro de visita domiciliar não poderá impedir a permanência de famílias unipessoais no Bolsa Família. A atualização poderá ser feita em um posto do Cadastro Único.

O recuo alcança uma revisão que previa entrevistas obrigatórias em 3,33 milhões de cadastros de famílias unipessoais do Bolsa Família e do BPC. Para 2026, a União havia destinado cerca de 140 milhões de reais ao trabalho, mas financiaria somente 1,69 milhão de entrevistas — pouco mais da metade da demanda.

A coincidência das datas é especialmente sensível. O cronograma anterior previa cancelamentos em agosto, setembro e 8 de outubro, quatro dias depois do primeiro turno e antes de uma eventual segunda votação. Alguns cortes já haviam começado quando o acordo foi fechado.

Não há prova pública de motivação eleitoral. O efeito objetivo, porém, é evitar que beneficiários sejam retirados dos programas às vésperas das urnas. O governo ainda não informou quantas famílias continuam recebendo sem biometria ou visita, quantos benefícios foram cortados antes do recuo nem o impacto da mudança sobre a economia prometida com o pente-fino.

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