Uma recente cena em Quem Ama Cuida envolve a personagem Brigitte (Tatá Werneck), que comemora com orgulho ter conseguido um emprego formal (CLT) como atendente de balcão, no embate com a mãe Pilar (Isabel Teixeira). A situação gera embate cômico e ácido com a mãe, que a repreende, mas Brigitte rebate defendendo seus novos direitos trabalhistas, como férias e décimo terceiro salário.
Em outro momento, o mordomo Edvaldo (Guilherme Piva) questiona se terá reajuste salarial. A patroa é enfática, dizendo que ele deve valorizar o trabalho que tem, porque ganha “até” décimo terceiro. Eis que ele rebate: “Décimo terceiro é a alegria do trabalhador. É a única vez no ano que a gente sabe que vai ser feliz”.
Esse diálogo reforça o papel da vilã em confrontar quem tem CLT como sendo algo menor, desprezível. A função dessa fala é mais do que marcar presença de sua vilania, mas de menosprezar o trabalhador comum e seus direitos garantidos por lei, visto que ela própria pertence a uma “elite” que não precisaria desse tipo de proteção.
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As cenas de Pilar detonando quem é CLT são um acerto da produção, visto que há discussões em pauta no Congresso para reduzir as regras de proteção do trabalhador em prol de um suposto crescimento econômico. Pilar incorpora o discurso vigente dessa classe política na figura de uma vilã milionária. O recado de Walcyr Carrasco é claro.
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