Casais que pretendem ter filhos nos próximos anos podem participar de uma pesquisa nacional da USP (Universidade de São Paulo) voltada ao planejamento familiar e à saúde reprodutiva, lançada nesta sexta-feira (12). A iniciativa, chamada Nossos Genes, oferece gratuitamente aconselhamento genético e exames a até 5.000 casais brasileiros.
Coordenado pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e de Terapias Avançadas da USP, o projeto pretende identificar casais com maior probabilidade de transmitir determinadas condições genéticas aos filhos e fornecer informações que possam auxiliar no planejamento familiar.
Todas as pessoas carregam variações genéticas no DNA. Essas alterações podem se tornar relevantes quando ambos os integrantes do casal apresentam mudanças no mesmo gene e desejam ter filhos. Esse mecanismo é conhecido como herança recessiva.
O projeto busca identificar casais com maior risco de ter filhos com doenças genéticas recessivas, como fibrose cística, atrofia muscular espinhal (AME) e fenilcetonúria, além da síndrome do X frágil, condição hereditária pode causar dificuldades de aprendizagem, deficiência intelectual e alterações comportamentais, segundo o Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos EUA.
A participação também inclui consultas com especialistas. E orientações sobre cuidados antes da gravidez com foco na prevenção de outros problemas de saúde, incluindo anomalias congênitas.
Os pesquisadores acompanharão os casais ao longo de anos para avaliar os impactos das informações genéticas nas decisões reprodutivas e no sistema de saúde.
A pesquisa também pretende estimar quantos casais brasileiros apresentam chance aumentada de ter filhos com doenças genéticas recessivas. A expectativa é que os dados ajudem no planejamento de futuras políticas públicas relacionadas à saúde reprodutiva e ao aconselhamento genético.
O projeto conta com financiamento do Ministério da Saúde por meio do Programa Genomas Brasil e do edital Saúde de Precisão do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). É desenvolvido pela USP em parceria com pesquisadores da UFBA (Universidade Federal da Bahia), da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e da UnB (Universidade de Brasília).
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Quem pode participar
O estudo busca casais que pretendem ter filhos por concepção natural nos próximos anos e que utilizam o SUS (Sistema Único de Saúde). O recrutamento começou nesta sexta (12) pelo site do Genoma USP.
Entre os critérios estabelecidos para a participação está a formação de casal por uma mulher entre 18 e 35 anos de idade e um homem entre 18 e 45 anos, além de não ter filhos ou ter apenas um filho, biológico ou adotivo.
Também é necessário ter acesso às cidades de São Paulo, Salvador, Vitória ou Brasília, onde ocorrerão os atendimentos presenciais.
Gestantes, casais em tratamento de fertilidade e pessoas que já possuem um filho biológico diagnosticado com doença genética recessiva não podem participar da pesquisa.
Os dados genômicos serão avaliados por especialistas da USP e das instituições parceiras. Depois da análise, os resultados serão apresentados em consulta virtual, quando os participantes receberão explicações sobre os achados e suas possíveis implicações para futuras gestações.
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