Cientistas que observaram aglomerados de estrelas reunidos perto do centro da Via Láctea encontraram indícios de que nossa galáxia engoliu uma menor cerca de 11,8 bilhões de anos atrás, quando o Universo tinha menos de 15% de sua idade atual.
O episódio, descrito em um artigo publicado na segunda (17) na revista Nature Astronomy, representa a mais antiga fusão galáctica conhecida da Via Láctea. Também mostra como ela cresceu não apenas formando suas estrelas, mas também se fundindo com galáxias menores capturadas por atração gravitacional.
A galáxia menor é classificada como uma galáxia anã, o que a diferencia de galáxias maiores como a Via Láctea. Ela foi batizada de Low-energy-Kraken-Heracles (LKH), em referência a três estudos anteriores que analisaram a possibilidade de uma fusão primordial.
Os pesquisadores estimam que, na época da fusão, ela continha estrelas com massa equivalente a 500 milhões de vezes a massa do Sol, em torno de um quarto do tamanho que a Via Láctea tinha naquele período.
Para a pesquisa, foram utilizados os telescópios espaciais Hubble e Gaia. Eles permitiam a análise de aglomerados estelares, cada um com centenas de milhares de estrelas.
A equipe avaliou idade, composição química e trajetória desses aglomerados, localizados em uma região que abrange os 20 mil anos-luz mais internos da Via Láctea —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano: 9,5 trilhões de quilômetros.
Essas estrelas, com origem na galáxia LKH, passaram a fazer parte da Via Láctea após uma fusão galáctica ocorrida cerca de 2 bilhões de anos depois do Big Bang, segundo os pesquisadores.
“A principal descoberta de nossa pesquisa é a identificação inequívoca do primeiro evento de fusão vivenciado por nossa galáxia em sua infância”, afirmou o astrofísico Davide Massari, do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), em Bolonha, na Itália. Ele é o principal autor do novo estudo.
Se o crescimento inicial da Via Láctea foi impulsionado pela formação de estrelas dentro da própria galáxia ou por uma fusão galáctica tem sido objeto de debate, de acordo com Massari. O novo estudo indica que, no início de sua história, a fusão incorporou à Via Láctea um grande volume de estrelas e gás interestelar que alimenta a formação estelar, além da misteriosa matéria escura.
“Eu diria que, do ponto de vista das estrelas, a fusão foi relativamente pacífica, sem colisões entre elas. Mas, do ponto de vista do gás, a fusão foi mais ‘explosiva’. É provável que a colisão entre o gás da LKH e o da Via Láctea tenha desencadeado a formação de muitas estrelas”, disse Massari.
O astrofísico afirmou que provavelmente há muitas estrelas que se formaram originalmente na galáxia anã e que ainda estão ocultas nas regiões internas da Via Láctea, algumas delas dentro de aglomerados estelares. Mas, devido a toda a poeira interestelar nessa região, é muito difícil identificá-las.
Sabe-se que a Via Láctea esteve envolvida em outras duas grandes fusões galácticas. Ela absorveu uma galáxia anã em torno de 1,8 bilhão de anos após a fusão com a LKH. E, nos últimos aproximadamente 6 bilhões de anos, vem se fundindo com a galáxia anã de Sagitário.
“Cada uma dessas fusões exerceu influência sobre os acontecimentos que levaram à formação do nosso Sistema Solar e, em última análise, da Terra”, disse Massari. “Por isso, acredito que reconstruir o passado da Via Láctea contribui para responder à grande pergunta: ‘De onde viemos?’”
Fonte: Link da fonte














