Via Láctea devorou galáxia anã há 11,8 bilhões de anos – 19/08/2026 – Ciência

Cientistas que observaram aglomerados de estrelas reunidos perto do centro da Via Láctea encontraram indícios de que nossa galáxia engoliu uma menor cerca de 11,8 bilhões de anos atrás, quando o Universo tinha menos de 15% de sua idade atual.

O episódio, descrito em um artigo publicado na segunda (17) na revista Nature Astronomy, representa a mais antiga fusão galáctica conhecida da Via Láctea. Também mostra como ela cresceu não apenas formando suas estrelas, mas também se fundindo com galáxias menores capturadas por atração gravitacional.

A galáxia menor é classificada como uma galáxia anã, o que a diferencia de galáxias maiores como a Via Láctea. Ela foi batizada de Low-energy-Kraken-Heracles (LKH), em referência a três estudos anteriores que analisaram a possibilidade de uma fusão primordial.

Os pesquisadores estimam que, na época da fusão, ela continha estrelas com massa equivalente a 500 milhões de vezes a massa do Sol, em torno de um quarto do tamanho que a Via Láctea tinha naquele período.

Para a pesquisa, foram utilizados os telescópios espaciais Hubble e Gaia. Eles permitiam a análise de aglomerados estelares, cada um com centenas de milhares de estrelas.

A equipe avaliou idade, composição química e trajetória desses aglomerados, localizados em uma região que abrange os 20 mil anos-luz mais internos da Via Láctea —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano: 9,5 trilhões de quilômetros.

Essas estrelas, com origem na galáxia LKH, passaram a fazer parte da Via Láctea após uma fusão galáctica ocorrida cerca de 2 bilhões de anos depois do Big Bang, segundo os pesquisadores.

“A principal descoberta de nossa pesquisa é a identificação inequívoca do primeiro evento de fusão vivenciado por nossa galáxia em sua infância”, afirmou o astrofísico Davide Massari, do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), em Bolonha, na Itália. Ele é o principal autor do novo estudo.

Se o crescimento inicial da Via Láctea foi impulsionado pela formação de estrelas dentro da própria galáxia ou por uma fusão galáctica tem sido objeto de debate, de acordo com Massari. O novo estudo indica que, no início de sua história, a fusão incorporou à Via Láctea um grande volume de estrelas e gás interestelar que alimenta a formação estelar, além da misteriosa matéria escura.

“Eu diria que, do ponto de vista das estrelas, a fusão foi relativamente pacífica, sem colisões entre elas. Mas, do ponto de vista do gás, a fusão foi mais ‘explosiva’. É provável que a colisão entre o gás da LKH e o da Via Láctea tenha desencadeado a formação de muitas estrelas”, disse Massari.

O astrofísico afirmou que provavelmente há muitas estrelas que se formaram originalmente na galáxia anã e que ainda estão ocultas nas regiões internas da Via Láctea, algumas delas dentro de aglomerados estelares. Mas, devido a toda a poeira interestelar nessa região, é muito difícil identificá-las.

Sabe-se que a Via Láctea esteve envolvida em outras duas grandes fusões galácticas. Ela absorveu uma galáxia anã em torno de 1,8 bilhão de anos após a fusão com a LKH. E, nos últimos aproximadamente 6 bilhões de anos, vem se fundindo com a galáxia anã de Sagitário.

“Cada uma dessas fusões exerceu influência sobre os acontecimentos que levaram à formação do nosso Sistema Solar e, em última análise, da Terra”, disse Massari. “Por isso, acredito que reconstruir o passado da Via Láctea contribui para responder à grande pergunta: ‘De onde viemos?’”

Fonte: Link da fonte

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore