A Nasa espera que 2028 seja o ano de um pouso tripulado na Lua, uma ambição que reflete o objetivo de Donald Trump de levar a humanidade de volta à superfície lunar antes do fim de seu segundo mandato. Cumprir esse cronograma depende do sucesso da missão Artemis 3, que deve ser lançada em meados de 2027.
Na última terça-feira (9), durante o anúncio dos quatro astronautas da Artemis 3, que voarão em órbita baixa da Terra na missão de teste para a jornada lunar, o discurso da agência espacial americana concentrou-se em aumentar as expectativas para a próxima missão. Mas pouco foi dito sobre a viabilidade de concretizar o plano.
Em uma entrevista coletiva concedida logo após o evento, o administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse que a agência está “extremamente confiante” em atingir essa meta e que será transparente com quaisquer atualizações.
“Vamos voltar à Lua antes do final de 2028”, disse Isaacman. “É só acompanhar.”
Especialistas se mostraram esperançosos de que a Nasa consiga retornar à Lua, mas também demonstraram ceticismo sobre a viabilidade de fazer isso até 2028. “Acho que eu e a maioria das pessoas diríamos que não é uma data realista”, afirmou Casey Dreier, diretor de política espacial da Planetary Society, ONG americana voltada à ciência espacial.
Em abril, a Nasa provou com a Artemis 2 que poderia usar o foguete SLS (Space Launch System) e a espaçonave Orion para enviar humanos à órbita lunar. Porém, agora a agência depende de duas empresas privadas, a SpaceX e a Blue Origin, para fornecer veículos de pouso para missões que vão transferir astronautas da órbita para a superfície da Lua e, depois, de volta.
Segundo Dreier, isso permitirá que a Nasa vá à Lua a um custo muito menor do que durante a era Apollo. Mas também significa que as aspirações lunares da agência dependem em grande parte de dois bilionários, Elon Musk e Jeff Bezos.
“É muito poder e esperança depositados em apenas duas pessoas para fornecer uma capacidade que é, na verdade, essencial para um objetivo nacional”, disse ele. “A Nasa é uma testemunha do seu próprio destino.”
Nem a SpaceX nem a Blue Origin concluíram o desenvolvimento de seus módulos de pouso. Tampouco os foguetes nos planos para levar esses módulos à Lua estão prontos: o Starship, da SpaceX, sofreu falhas durante voos de teste; o New Glenn, da Blue Origin, explodiu e danificou a única plataforma de lançamento da empresa em maio deste ano.
Esses episódios podem atrasar a meta da Nasa de pousar na Lua em 2028. Fatores externos, como mau tempo ou paralisações do governo, também podem afetar esse cronograma.
“É irrealista”, afirmou Phil McAlister, ex-diretor da divisão de espaço comercial da Nasa, por email. “Ao mesmo tempo, não vou dizer que é impossível.”
Clayton Swope, vice-diretor do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, ecoou esse sentimento. “Está parecendo cada vez mais provável que a resposta seja não”, disse ele, referindo-se à possibilidade de um pouso lunar em 2028. “Mas ainda há uma chance de uma jogada desesperada dar certo.”
Pousar no satélite sempre foi difícil, mesmo para missões não tripuladas. Em 2023, a Rússia tentou seu primeiro pouso desde a década de 1970, mas a espaçonave se chocou contra a superfície lunar. No ano seguinte, uma espaçonave japonesa com dois rovers ficou de cabeça para baixo no solo lunar. Em 2025, a Intuitive Machines, uma empresa privada sediada em Houston, alunissou um veículo, que tombou de lado.
A China, por sua vez, tem sido bem-sucedida em pousos lunares. O país colocou rovers na superfície lunar em 2013 e 2019 e recolheu amostras de poeira lunar do lado próximo em 2020 e do lado oculto em 2024. A nação asiática planeja levar humanos à Lua até 2030.
De acordo com Swope, superar a China na corrida à Lua é uma das razões para a Nasa buscar um pouso lunar em 2028. Outros motivos são crescimento econômico e desenvolvimento comercial.
“No entanto, o espaço continua sendo mais do que apenas isso”, disse ele, acrescentando que uma presença lunar sustentada é um passo para construir um futuro melhor para as próximas gerações. “Vamos à Lua, e depois além, como parte da jornada para concretizar essa visão.”
Fonte: Link da fonte









