No dia final da Copa do Mundo de 2026, cada colunista da Folha que esteve na cobertura da competição enviou sua seleção ideal para que fosse formado o time do Mundial escolhido pelo jornal.
Comecei minha equipe por Vozinha, apelido de Josimar José Évora Dias, nome recebido em homenagem a Josimar Higino Pereira, lateral-direito que defendeu o Botafogo e brilhou com a seleção brasileira na Copa de 1986, no México, fazendo dois lindos gols.
Vozinha seguiu carreira no futebol, tornando-se goleiro, e, na estreia da seleção africana de Cabo Verde em um Mundial, brilhou nas partidas contra a futura campeã Espanha (0 a 0), no jogo inicial, e a futura vice-campeã Argentina (2 a 3), na fase de 32 seleções, com boas defesas e personalidade.
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Aos 40 anos, ganhou milhares e milhares de seguidores em rede social, inclusive no Brasil, falante de português que é. Virou celebridade.
Não ganhou, contudo, vaga na seleção da Folha –o mais votado foi Unai Simón, pouquíssimo vazado (um único gol), só que pouquíssimo exigido, já que a Espanha pouco permitiu ações ofensivas de seus adversários nesta Copa.
Segundo a Fifa, Unai Simón, que atuou em oito partidas, realizou 14 defesas. Vozinha fez 18 em apenas quatro jogos. Sofreu quatro gols, jogando atrás de uma defesa reconhecidamente mais fraca que a espanhola.
A fama conquistada por Vozinha, contudo, rendeu-lhe, mesmo em idade na qual a maioria dos goleiros já está aposentada, um novo contrato. Estava sem desde que o último, com o Chaves, da segunda divisão de Portugal, expirou, antes do Mundial na América do Norte.
Houve rumores de ele ir para lá, acolá e até aqui, o futebol brasileiro. Quem acabou contratando-o, por um período de seis meses que pode ser estendido, foi o Colo-Colo, mais conhecido clube do Chile, maior campeão nacional do país sul-americano.
Opa. Bacana. Poderemos ver o Vozinha atuar logo mais, na Libertadores? Não. O Colo-Colo não está no principal campeonato da América do Sul. Então na Copa Sul-Americana? Não. O Colo-Colo, após temporada medíocre, não obteve vaga para uma competição internacional.
Portanto, para ver Vozinha em ação, só no Campeonato Chileno. Ou na Copa Chile (a Copa do Brasil de lá). Ambos estão em andamento, só que nós, residentes no Brasil, não temos como assistir aos jogos desses torneios, pois ninguém por aqui possui os direitos de transmissão.
Desse modo, quem é superadmirador de Vozinha, o novo velho herói do ludopédio, e quer muito vê-lo atuar em uma partida completa –melhores momentos talvez até circulem em algum lugar– tem que planejar ir ao Chile.
Algumas capitais brasileiras, como São Paulo, oferecem voos frequentes para Santiago. Em um fim de semana, dá para combinar turistar na cidade, considerada bonita e interessante, com ida ao Estádio Monumental David Arellano, do Colo-Colo, para ver Vozinha.
Não é má ideia, se houver tempo e dinheiro. Porém, e há sempre um porém, é necessário ficar de olho no noticiário do clube.
Vozinha não chega, segundo o técnico Fernando Ortiz, com a vaga de titular assegurada e terá de mostrar nos treinos que está em condição melhor que o atual dono da posição, o promissor Gabriel Maureira, que aos 19 tem menos da metade da idade do hoje superstar cabo-verdiano.
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