[the_ad_group id="564"]
[the_ad_group id="566"]

10 anos do impedimento de Dilma – 25/04/2026 – Samuel Pessôa

Há duas semanas, fez dez anos a sessão da Câmara que decidiu iniciar o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Vários aspectos do processo foram lembrados. Embora muitos se concentrem em seus aspectos jurídicos, o mais determinante para a deposição de Dilma foi o político.

Por isso vale voltar a um tema: a campanha muito violenta praticada pelo PT em 2014, cujas sequelas dificultaram demais a governabilidade de Dilma em seu segundo mandato.

Em sua excelente biografia do Partido dos Trabalhadores, Celso Rocha Barros, meu colega que assina coluna de política aos domingos nesta Folha, lembra que uma das causas da insatisfação popular que desaguou no impedimento do presidente Fernando Collor foi o fato de ele ter dito, num dos debates eleitorais no segundo turno, que Lula sequestraria a poupança do trabalhador. No entanto, foi o Plano Collor que sequestrou essa poupança.

Surpreendentemente, Celso, no capítulo em que trata do impedimento de Dilma, se esqueceu de que a ex-presidente tinha colocado na propaganda petista no segundo turno o retrato de Aécio com Arminio Fraga, avisando aos eleitores que os dois promoveriam um ajuste fiscal. Sabemos que, reeleita, foi Dilma quem fez um ajuste fiscal com Joaquim Levy.

Adicionalmente, o PT introduziu dois elementos nocivos para a cultura política brasileira. O primeiro foi a prática de contratar gente cuja única função era criticar e estigmatizar seus adversários políticos. O gabinete do ódio bolsonarista é filho dos blogueiros independentes petistas.

O segundo foi usar a máquina pública para se reeleger de forma que não se usava antes. Os petistas, no segundo turno de 2014, a partir das bases de dados da CEF dos beneficiados do Bolsa Família e do MCMV, enviaram torpedos aos beneficiários avisando que, se Aécio ganhasse, acabaria com os programas sociais. Ação não muito diferente de colocar a Polícia Rodoviária Federal para atrapalhar a ida às urnas de apoiadores da oposição, como fez em 2022 a PRF chefiada por Ramagem.

Essas práticas nocivas ajudaram a contaminar o ambiente político e a dificultar a governabilidade de Dilma em seu segundo mandato.

É comum achar que Bolsonaro gastou muito para tentar se reeleger em 2022. De fato, ele aprovou uma emenda constitucional, a PEC Kamikaze, alegando estado de emergência em razão da Guerra da Ucrânia, para poder desonerar os combustíveis e aumentar o gasto. Distribuiu dinheiro a taxistas e a outros grupos. Felizmente, em agosto de 2024, o STF considerou inconstitucional da PEC Kamikaze.

Menos reconhecido é o fato de ele, com toda a liberalidade de gastar que teve em 2022, ter gastado menos que Dilma em 2014. Podemos dizer que a “presidenta altiva e honesta destruiu mais as contas públicas para se reeleger do que o genocida fascista”. Fato bem documentado em texto que preparei com colegas e pode ser baixado aqui.

Lembrar esses eventos tem importância histórica em si, pois ajuda a entender os fatos que desaguaram no impedimento da presidente Dilma, mas também é um aviso para o momento presente. Quando um presidente se elege prometendo muito e mentindo exageradamente, não consegue governar. Ganha a eleição e não leva.

P.S.: este texto complementa coluna anterior, de 2021, em que comparo o estelionato eleitoral de FHC de 1998 ao de Dilma de 2014.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Fonte: Link da fonte

[the_ad_group id="566"]

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore