A leitura no vestiário da seleção brasileira foi de que o empate por 1 a 1 com o Marrocos expôs um início de Copa do Mundo marcado por nervosismo e falta de controle emocional, padrão que se repetiu nas entrevistas após a partida disputada no sábado (13), no Metlife Stadium, em East Rutherfod, Nova Jersey.
A avaliação interna dos próprios atletas é de que o comportamento em campo precisa de ajuste imediato para a sequência da competição, sobretudo nos jogos eliminatórios. No grupo que ainda conta com Haiti e Escócia, o confronto com os marroquinos foi tratado como o teste mais duro da primeira fase, com o peso de se tratar da estreia.
“Temos que ser autocríticos e saber que podemos fazer muito melhor”, disse Alisson.
A cobrança de Carlo Ancelotti no vestiário reforçou esse diagnóstico. “O míster não gostou nada”, relatou o goleiro, em linha com o discurso de revisão interna.
Mais do que o empate, incomodou a forma como o Brasil foi dominado em parte do primeiro tempo. “A gente tem que agradecer porque terminou em 1 a 1 o primeiro tempo”, reconheceu o lateral Danilo.
Marrocos aproveitou o início desorganizado da equipe e chegou a controlar as ações até o gol de Vinicius Junior, quando o Brasil conseguiu equilibrar a partida.
O empate mostrou, ainda, que o Brasil entrou na Copa desconectado do ritmo esperado para uma equipe candidata ao título.
Também faltou intensidade. Isso ficou evidente na atuação de Casemiro, 34, substituído ainda no intervalo sob a justificativa de que já estava pendurado com cartão amarelo. Nos 45 minutos em campo, o volante teve dificuldades para acompanhar a agressividade marroquina e ficou exposto em diversos lances.
Na saída do estádio, ao ser questionado sobre a substituição, ele negou que tenha sido uma decisão motivada por questões táticas ou físicas, atribuindo a troca exclusivamente ao cartão. Com Fabinho em campo, o Brasil ganhou mais poder de marcação no meio-campo.
O cenário abre um dilema para Carlo Ancelotti, especialmente no contexto do mata-mata, quando a seleção deve enfrentar adversários de intensidade semelhante ou superior à do Marrocos. Uma eventual mudança no setor implicaria retirar um dos líderes do elenco já no início da competição.
Como o próximo adversário do Brasil no Mundial é o Haiti, adversário mais frágil do grupo, o treinador tem o cenário ideal para justificar testes na equipe. O confronto será na sexta-feira (19), na Filadélfia.
Além do volante, Ibañez, Paquetá e Igor Thiago também correm risco de deixar o time pelas fracas atuações diante dos marroquinos.
A formação da equipe para o confronto com os haitianos começará a ser desenhada nesta segunda-feira (15). No dia seguinte à estreia na Copa, a programação da comissão técnica previa somente um treino regenerativo para quem iniciou a partida e sessões de academia para os demais jogadores.
As atividades desta semana no CT Columbia Park, em Morristown, em Nova Jersey, serão cercadas ainda pela expectativa sobre o retorno de Neymar aos gramados.
Na última sexta-feira (12), ao comentar sobre a evolução do processo de recuperação da lesão muscular na panturrilha direita do camisa 10, Ancelotti disse que ele está quase pronto para se juntar ao time.
“Neymar está trabalhando muito forte para recuperar o mais rápido possível. A expectativa é de que ele possa voltar ao grupo na próxima semana. A qualidade técnica dele é indiscutível, mas também a experiência e o exemplo que apresenta ao restante do grupo”, afirmou o italiano.
No jogo contra o Marrocos, mesmo sem condições de atuar, ele ficou no banco de reservas. Durante as pausas para hidratação, o camisa 10 tentou passar orientações para seus companheiros, principalmente para Vinicius Junior.
O camisa 7, porém, talvez tenha sido o único que deixou a estreia do Brasil sem ter sua confiança abalada.
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