As medidas que podem ajudar um dos setores mais afetados pelo tarifaço

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exigirão uma resposta que vá além das medidas já disponíveis para apoiar os exportadores. A avaliação é de Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que, em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, defendeu a ampliação dos mecanismos de financiamento às empresas, o fortalecimento da promoção comercial e a continuidade das negociações com Washington para reduzir os impactos sobre o setor. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Por que a indústria de máquinas está entre as mais afetadas?

Segundo Patrícia, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos e responderam por 23% das vendas externas do setor no último ano. A expectativa da Abimaq é de que as novas tarifas provoquem uma redução de 11% nas exportações até 2026.

Ela lembrou ainda que o segmento já vinha enfrentando dificuldades após a adoção das tarifas anteriores, que, segundo a entidade, contribuíram para uma queda de 9,1% nas exportações em 2025.

Quais medidas podem reduzir os impactos?

Para a diretora da Abimaq, o governo já dispõe de alguns instrumentos de apoio às empresas, como linhas de financiamento em condições mais competitivas, mas eles não serão suficientes para enfrentar o novo cenário.

Segundo ela, será necessário ampliar os mecanismos de crédito destinados à produção, à comercialização e às exportações, além de fortalecer instrumentos de garantia para as empresas que atuam no mercado internacional.

Patrícia também defendeu uma agenda mais agressiva de promoção comercial para acelerar a abertura de novos mercados e reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.

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A executiva também citou a existência de resíduos tributários que, segundo ela, ainda reduzem a competitividade das exportações brasileiras. Na avaliação da diretora, esse é um tema que está em discussão no Congresso e que pode contribuir para tornar os produtos nacionais mais competitivos no mercado externo.

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A Lei da Reciprocidade é a melhor resposta?

Questionada sobre a possibilidade de o governo recorrer à Lei da Reciprocidade, Patrícia afirmou que a prioridade deve continuar sendo a negociação.

“A nossa percepção é que a gente precisa buscar o diálogo, continuar na mesa de negociação.”

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Segundo ela, uma resposta baseada na reciprocidade pode ampliar as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo, já que as empresas exportadoras seriam as principais afetadas pela escalada das restrições comerciais.

A diretora afirmou que essa posição vem sendo apresentada pela Abimaq desde o anúncio das primeiras tarifas e continua sendo defendida nas conversas com o governo brasileiro.

Ainda há espaço para negociar com os Estados Unidos?

Patrícia afirmou que, pelas informações disponíveis, o governo brasileiro buscou manter canais de diálogo com a administração americana ao longo de todo o processo, com reuniões envolvendo representantes do Executivo, equipes técnicas e integrantes da área econômica.

Ela acrescentou que a própria Abimaq participou de audiências em Washington para defender a exclusão das máquinas e equipamentos das novas tarifas. Segundo a diretora, empresas e associações empresariais americanas também se posicionaram contra a medida por entenderem que ela prejudica as cadeias produtivas dos dois países.

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É possível encontrar novos mercados rapidamente?

Embora considere fundamental ampliar os destinos das exportações brasileiras, Patrícia afirmou que esse processo não acontece de forma imediata para a indústria de máquinas.

Segundo ela, conquistar novos clientes exige adaptações tecnológicas, customização dos equipamentos, atendimento a exigências regulatórias e um trabalho comercial de médio e longo prazo.

“Não é trivial para o setor simplesmente fazer essa reorientação.”

Apesar desse desafio, a diretora defendeu que o Brasil acelere a busca por novas oportunidades comerciais sem interromper as negociações com os Estados Unidos. Na avaliação da Abimaq, combinar diversificação de mercados com diálogo é a estratégia mais eficaz para reduzir os impactos do tarifaço sobre um dos principais setores exportadores da indústria brasileira.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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