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Bebês neandertais eram enormes e cresciam mais rápido – 25/04/2026 – Ciência

Cientistas sugerem que os bebês neandertais cresciam muito mais rápido do que os bebês da nossa espécie, uma característica que provavelmente desenvolveram para sobreviver em ambientes hostis.

A descoberta, publicada no dia 15 deste mês na revista Current Biology, baseia‑se na análise mais abrangente já realizada de um esqueleto infantil neandertal encontrado em uma caverna no norte de Israel.

O protagonista é Amud 7, um bebê neandertal (Homo neanderthalensis) de seis meses que viveu entre 56 mil e 51 mil anos atrás na caverna de Amud, próximo ao mar da Galileia.

Seus restos —111 ossos, incluindo dentes, fragmentos de crânio, costelas, braços e pernas— foram encontrados por arqueólogos em 1992, mas só agora passaram por uma análise detalhada para estimar sua idade com precisão.

O resultado? Com uma idade estimada de seis meses, Amud 7 tinha o tamanho corporal de uma criança da nossa espécie entre 12 e 14 meses.

Além disso, a pesquisa revela que o volume craniano era maior do que o esperado para sua idade, e que seus membros eram maiores do que os de qualquer bebê equivalente de Homo sapiens.

“A descoberta do esqueleto de Amud 7 muda radicalmente nossa visão da infância neandertal”, afirmou a autora principal do estudo, Ella Been, professora do Ono Academic College, em Israel, em entrevista ao jornal espanhol El País.

O segredo estava nos dentes

A chave para estimar a idade de Amud 7 estava nos dentes. Os cientistas analisaram as chamadas “marcas diárias” no interior do esmalte dentário em formação, linhas de crescimento que permanecem por milhares de anos, muito mais do que os tecidos moles.

“Acredito que a idade histológica dos dentes seja mais precisa do que a idade calculada a partir do volume dos ossos longos ou da cavidade endocraniana ao estimar uma idade tão precoce”, explicou Been.

Pesquisas anteriores sobre outros três bebês neandertais mostraram o mesmo padrão de crescimento acelerado e evidenciaram que os alimentos sólidos eram incorporados à dieta por volta dos cinco ou seis meses de vida.

Para a autora, Amud 7 não é um caso isolado. “Compreender esse padrão é fundamental para entender quem eram os neandertais e como eles se adaptavam ao seu ambiente”, afirmou Been.

O fato de observar características semelhantes em três bebês neandertais diferentes “demonstra que não se trata de uma coincidência”, acrescentou a especialista, citada pela revista especializada New Scientist.

Daniel García, antropólogo físico da Universidade Complutense de Madri, que não participou do estudo, disse ao El País que “nem todos aceitam que os neandertais nascessem com essas diferenças”.

Ainda assim, ele ressalta que o caso de Amud 7 “pode ser exclusivo do Oriente Médio, mas há outros casos na França e na Rússia, e todos mostram um desenvolvimento semelhante”.

Adaptação ao clima frio

O contraste entre a idade real e o tamanho corporal de Amud 7 levanta a questão de por que os bebês neandertais se desenvolviam inicialmente de forma tão diferente dos humanos modernos.

Uma possível explicação aponta para a adaptação ao clima. Os neandertais viviam na Europa e na Ásia, frequentemente enfrentando longos períodos de frio intenso. Corpos maiores retêm calor com mais eficiência, o que teria proporcionado uma vantagem de sobrevivência aos bebês que cresciam mais rapidamente.

O Homo sapiens, por sua vez, evoluiu nos climas relativamente mais quentes da África, onde esse desenvolvimento acelerado não era necessário. Embora humanos modernos e neandertais tenham se cruzado posteriormente na Eurásia —inclusive mantendo relações sexuais e tendo descendentes—, essa diferença climática poderia explicar por que as duas espécies adotaram ritmos de crescimento tão distintos.

O maior tamanho corporal dos bebês neandertais não permite concluir que eles andassem, falassem ou se tornassem independentes antes dos bebês modernos.

Ainda assim, os pesquisadores sugerem que é provável que esse ritmo diferenciado de crescimento tenha se equilibrado com o tempo, e que o desenvolvimento dos dentes e do corpo entre neandertais e Homo sapiens tenha convergido por volta dos sete anos de idade.

Fonte: Link da fonte

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