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Casa Gallo tem 1ª mulher presidente com meta ambiciosa – 30/05/2026 – Painel S.A.

Primeira mulher brasileira a ocupar a presidência da Casa Gallo no Brasil, Cristiane Souza, 51, navegou na repaginação da marca e na crise da safra da azeitona em 2024, que fez disparar o preço do azeite.

No comando de uma operação centenária no país (iniciada em 1919), a Gallo tem agora a meta de crescer 100% no setor em que já é líder de mercado. Um dos pilares da estratégia é fazer o consumidor incorporar o azeite na culinária, não apenas na finalização de pratos. A empresa também mudou as embalagens e coloca no mercado produtos premium, como o Rossio de Abrantes.

A Casa Gallo tem meta de dobrar a operação brasileira, que já representa 60% do faturamento global da empresa. Isso é uma meta ambiciosa, mas não é também arriscada? A gente tem uma oportunidade imensa de fazer esse volume [de vendas] dobrar. Existe um caminho enorme para abraçar o mercado de gorduras no Brasil. A gente tem produto para continuar endereçando essa questão. Mas temos o dever, como marca líder, de fazer a consumidora entender o azeite e a substituição do óleo. Nós temos mais de um terço do market share.

O que significa isso? O futuro da categoria está em colocar o uso diário [do azeite] na culinária pelo uso saudável. Quem utiliza na culinária todos os dias usa dez vezes mais azeite. É uma tendência de saudabilidade.

Por isso que há uma diversificação de portfolio da Casa Gallo? A gente fala basicamente que o azeite faz muito parte da culinária. Cada vez mais as pessoas que cozinham em casa querem ter a sensação de que são chefs. Por isso, temos a marca clássica, o extravirgem, temos agora o Rossio de Abrantes, que tem uma formulação diferenciada com um preço diferenciado. Está entre 150% e 180% mais caro do que o preço médio dos azeites.

A Gallo passou por um rebranding e se tornou Casa Gallo. Esse processo está finalizado? Está. Finalizamos com uma nova garrafa, que comunica melhor com o cliente. É uma mudança na maneira como vamos endereçar a nossa comunicação e fazer o consumidor levar o azeite para casa, com uma embalagem no formato squeeze e com bico dosador.

O quanto a crise da safra da azeitona em 2024 e o aumento do preço do azeite influenciaram as vendas da Gallo no Brasil? Para a marca Gallo, o Brasil representa mais de 50% do volume vendido. A gente está em 80 países e cresce ano a ano mais de 6%. Dois anos atrás, sofremos muito com a safra da azeitona. Agora retomamos o preço do azeite de R$ 30 a R$ 35. Mas o mercado é resiliente. Quando o preço baixou, a venda retomou. Em março, tivemos 25% de crescimento. A gente tem na gôndola o produto de 500 ml e o de 250 ml. O nosso portfolio permitiu que a gente passasse por esse momento sem perder consumidores. O que aconteceu foi a diminuição do volume médio [de consumo]. Por isso que nessa retomada do consumo, focamos na culinária, não apenas na finalização.

Mas naquele momento, quando houve a crise, não houve uma queda significativa? No momento que o preço foi a R$ 80 reais, a classe A/B permaneceu com volume importante. A pessoa que consegue comprar uma garrafa por ano teve mais dificuldade de se manter fiel à marca. Quando a gente tem variedade grande, vai para outro portfolio.

A Casa Gallo também manteve o foco em azeitonas, vinagres e pimentas. Essas categorias têm papel estratégico real no crescimento ou funcionam mais como complemento para fortalecer a presença em gôndola e o relacionamento com o varejo? Tem papel estratégico. A gente tem produto para brigar em óleos mais comuns. Podemos ampliar o poder de atuação.

O segmento de azeites é muito pulverizado… Na verdade, é populado. Estamos falando de um setor em que três marcas controlam 70% do mercado. Temos mais de 300 marcas de azeite no Brasil, mas a maioria é pequena, desenvolvida para uma rede específica.

A sra. é a primeira mulher e a primeira brasileira a comandar a Gallo no Brasil, em uma empresa centenária de origem portuguesa em que presidentes anteriores eram homens e portugueses. Seu perfil abriu portas, criou resistências ou mudou a forma como a subsidiária se relaciona com a matriz? Como brasileira, conheço muito o nosso hábito de consumo. Eu vim da Unilever, então tenho experiência no mercado como um todo. Essa minha chegada abre portas em alguns momentos. Mas não estou sozinha. Portugal continua trazendo a tradição e as questões de relevância da marca.


Cristiane Souza, 51

1974, Umuarama-PR

Formada em Administração pela PUC-SP, tem MBA pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Trabalhou na Unilever por 25 anos, liderando diferentes áreas comerciais e digitalização dos negócios. Ela assumiu a presidência da Casa Gallo no Brasil em 2023.


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