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Com Vinicius Junior, Brasil é um constante tudo ou nada – 16/06/2026 – Coluna FolhaStats

Domínio do lado esquerdo na grande área, corte para dentro e chute preciso, com movimento curto, ganhando frações de segundo suficientes para vencer o goleiro. Arrancada em velocidade e desarme fácil do lateral adversário. Duas cenas de Vinicius Junior contra Marrocos. Para o torcedor que não acompanha seus jogos no Real Madrid, é bom se acostumar a esses altos e baixos numa mesma partida do atleta mais badalado em campo da seleção.

Vinicius é um jogador que tem um estilo de jogo arriscado, de busca pelo drible, arrancadas com a bola. O risco pode ser compensado, mas também pode trazer complicações para o seu time e na paciência do torcedor. Contra Marrocos, ele foi malsucedido nas oito tentativas de drible, mostraram as estatísticas da Opta Analyst.

Na Champions League 2025/26, Vinicius tentou 55 dribles. Acertou a metade, 49%. É um desempenho bom ou ruim? No mesmo torneio, Kvaratskhelia, o georgiano do PSG, eleito o melhor jogador da competição, teve aproveitamento de 56%, mas buscou menos dribles. Doué, o outro atacante veloz do time campeão, ficou abaixo do aproveitamento de Vinicius, com 44% (dados compilados pelo Fotmob).

Ou seja, na categoria de jogadores rápidos e dribladores, Vinicius Junior está em posição privilegiada, no patamar dos melhores do mundo.

A ousadia é cada vez mais necessária no futebol atual, em que os times facilmente se defendem com nove jogadores postados em duas linhas na altura da grande área e na intermediária.

Mas em jogos competitivos, como os da Copa do Mundo, a ousadia vale se for convertida em momentos cruciais e se a defesa brasileira conseguir mitigar a fatal perda de bola. Contra o Marrocos, ele salvou o time da derrota.

A estreia foi tão ruim assim?

Até o gol de Vinicius Junior, a seleção brasileira realmente estava atordoada, havia levado 11 finalizações, incluindo o tento de abertura do placar, e havia obtido apenas duas conclusões.

Mas os dados frios ao fim da partida mostraram um confronto parelho, não só no placar. O Brasil deu 12 chutes a gol, apenas dois a menos que Marrocos. Se forem considerados somente os que acertaram o gol adversário, o Brasil teve cinco, dois a mais que o rival.

No quesito posse de bola, que foi um sofrimento só no primeiro tempo, o Brasil terminou levemente superior (51,4%).

E em meio a tanto pessimismo, o desempenho positivo de um jogador brasileiro passou fora do radar. O lateral esquerdo Douglas Santos, que tinha a ingrata função de parar o lado em que atacava Hakimi, um dos melhores laterais do mundo, foi um dos jogadores que mais venceram duelos durante a partida —cinco. Ele pode ser uma peça importante diante de adversários com forte poderio ofensivo.

Foi pouco se pensarmos na tradição do Brasil. Mas o resultado final é condizente com a situação atual das duas equipes, que estão próximas no ranking da Fifa (sexto e sétimo lugares).

Levar esse susto na estreia (num dos duelos com as equipes mais parelhas de toda a primeira fase do Mundial) não pode trazer um positivo senso de urgência na melhoria do time?

O que será inconcebível será qualquer tropeço brasileiro contra o Haiti, que tem apenas 7% de chances de passar de fase e 0,00% chance de título, segundo a previsão do supercomputador da Opta.


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