O Copom (Comitê de Política Monetária) vê impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e piora nas expectativas no longo prazo, mostra ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (5).
Apesar do cenário mais desafiador, o comitê avaliou que os eventos recentes não impediriam a continuação do ciclo de queda de juros, julgando a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica como a mais adequada. Na última quarta-feira (29), o Copom reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano e reforçou a necessidade de cautela diante da incerteza provocada pela guerra.
O colegiado do Banco Central optou por um ajuste conservador depois de ver as projeções para inflação mais distantes da meta de 3% e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos, evitando se comprometer antecipadamente com os ajustes futuros.
“As últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”, afirmou.
“Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista [que refreie a economia] e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, acrescentou.
Segundo o comitê, desde o encontro anterior, de março, ficou “evidente” uma piora adicional nas expectativas de inflação, em particular para 2028.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 4,14%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que sinaliza uma tendência para a inflação oficial do país, mostrou em abril pressão sobre preços de combustíveis e alimentos.
No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano saltou de 3,9% para 4,6% (acima do teto da meta). Para 2027 –prazo na mira do BC devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia–, o comitê vê o IPCA em 3,5%.
O boletim Focus da véspera da reunião registrou elevação da expectativa para o IPCA de 2026 a 4,86%. Para 2027, a estimativa de inflação atingiu 4%. Houve ainda elevação da projeção para 2028, a 3,61%.
O Copom reforçou seu compromisso com a convergência da inflação à meta e voltou a dizer que a intensidade e a duração do ciclo de queda de juros, a que ele tem chamado de “ciclo de calibração”, serão determinadas ao longo do tempo, à medida que tenha novas informações disponíveis.
O colegiado voltará a se reunir nos dias 16 e 17 de junho, no quarto dos oito encontros previstos para o ano.
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