Sete deputados da confederação PSOL-Rede protocolaram um pedido para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigue o senador Flávio Bolsonaro por um possível atentado à soberania nacional.
De acordo com o grupo, o lobby feito pelo pré-candidato do PL à Presidência da República para a inclusão do CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) na lista mantida pelos EUA de organizações terroristas cria a possibilidade jurídica de uma intervenção militar no Brasil.
O pedido é assinado pelos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Duda Salabert (PSOL-MG), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Heloisa Helena (Rede-RJ), Luiza Erundina (PSOL-SP), Luizianne Lins (Rede-CE) e Sâmia Bonfim (PSOL-SP).
Eles apontam que ao viajar para os EUA e se reunir com o presidente americano Donald Trump, para quem fez o pedido, Flávio usou seu mandato de senador para convidar uma nação estrangeira a intervir no Brasil, o que impactaria a soberania nacional.
Por isso, pedem a instauração de um inquérito pela PF (Polícia Federal) para apurar o caso.
Flávio Bolsonaro viajou nesta semana para os EUA e a classificação ocorreu nesta quinta-feira (28). Ele comemorou a decisão no mesmo dia.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que fez “mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros” em uma viagem como pré-candidato do que o PT e Lula em 17 anos.
Como mostrou a Folha, a classificação é considerada estratégica por aliados de Flávio para desgastar Lula na eleição, já que o governo petista é contrário à medida.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, disse em nota que “é inaceitável que, enquanto o Brasil sofre sob o domínio de facções criminosas, parlamentares se mobilizem para criminalizar o esforço de buscar cooperação internacional contra o terrorismo”.
“Se o crime que nos acusam é o de buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência, assumimos essa culpa com convicção”, acrescentou.
O entendimento do Executivo é de que a rotulação pode dar margem a uma intervenção americana no território brasileiro, além de deixar empresas e sistema financeiro nacional expostos a medidas unilaterais da Casa Branca.
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