[the_ad_group id="564"]
[the_ad_group id="566"]

Estudo com mariposa de papel avalia estratégia de defesa – 30/09/2025 – Ciência

Para escapar de predadores, alguns animais, como sapos e cobras, desenvolveram estratégias complexas, como a camuflagem ou a coloração vibrante (aposematismo). A primeira serve para esconder, e a outra para se exibir e, com isso, assustar caçadores.

O nível de efetividade dessas estratégias alimenta debates na ciência há tempo. Um estudo, que utilizou milhares de mariposas falsas de isca para pássaros, publicado na revista Science na última quinta-feira (25) oferece uma nova hipótese: depende do contexto.

Os pesquisadores observaram que bichos com cores vívidas, como é o caso de algumas espécies de sapos, se protegem mais quando há alta luminosidade no ambiente e baixa disputa por presas. Isso porque num local claro se torna mais fácil para um predador identificar o risco apresentado conforme os tons da possível presa —que podem indicar, por exemplo, presença de veneno— ao mesmo tempo que também fica mais evidente a camuflagem.

Por outro lado, quando existem muitos predadores disputando alimentos, predadores se arriscam mais a caçar bichos considerados perigosos, ou seja, aqueles com cores vibrantes. Neste caso, é mais vantajoso para as presas se camuflar, a fim de escaparem de eventuais ataques.

Para investigarem o tema, cientistas analisaram a interação de pássaros com pouco mais de 15 mil falsas mariposas de cartolina em 21 áreas de 16 países, entre os quais Argentina, Austrália, Brasil, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e Quênia. Ao todo, a pesquisa foi desenvolvida por 56 pesquisadores.

No experimento, larvas eram presas por alfinetes nas falsas mariposas para atrair os predadores. Os simulacros tinham três composições de cores distintas: o clássico padrão laranja e preto; um marrom opaco; e um azul-turquesa e preto brilhante –este, inusual na natureza. O primeiro, em contato com as árvores, simulava um animal aposemático. O segundo, camuflagem. O terceiro, atípico, serviu para controle de variáveis.

Vinicius Lopez, professor da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro) e um dos autores do artigo, conta que todos os moldes foram impressos na Inglaterra para evitar variações entre gráficas. Também foram enviados celulares iguais para todos os grupos com a intenção de manter a mesma qualidade de fotografia. Assim, configurações da câmera do telefone eram preestabelecidas para impedir diferenças que comprometessem os resultados.

No Brasil, as investigações aconteceram em Brasília, no município de Uberaba, em Minas Gerais, e na serra do Japi, em Jundiaí, no interior de São Paulo.

A multiplicidade de locais implica ecossistemas com características próprias. Mas foram feitos esforços para encontrar unidades que dessem caráter amplo para o trabalho, segundo Lopez. “Tentamos entender a questão em nível global, o que tem de igual quando pensamos o mundo.”

Dessa forma, observaram como a seleção natural –a sobrevivência do mais apto– impactou o desenvolvimento dos camuflados e dos aposemáticos.

Parte da tese de doutorado na USP de Lopez é oriunda dessa pesquisa. Ele identificou que a incidência de luz em algumas partes de florestas é mais ou menos restrita e, assim, espectros de cores têm presenças irregulares. Em locais com maior espectro vermelho, por exemplo, sapos desse tom teriam mais sucesso evolutivo.

No entanto, de acordo com o pesquisador, nem sempre a coloração vibrante é destinada à proteção. A característica pode ser também recurso sexual para atrair parceiros ou estratégias para regular temperaturas.

As conclusões do novo estudo podem ser aplicadas a outros bichos, como serpentes e outros insetos, segundo a pesquisadora pós-doutoral da Universidade de George Washington (EUA) Clarissa de Carvalho, que não participou do estudo. Ela estudou camuflagem ao longo do doutorado.

“Como o benefício depende do contexto, se houver mudanças no ambiente –seja por mudanças climáticas ou atividade humana–, há risco na forma como as comunidades de presa lidam”, diz Carvalho. “Pode ser que sejam mais ou menos predadas.”

Lopez corrobora a leitura de Carvalho. “Nosso trabalho mostra que se aumentar a luminosidade [de alguma mata], algumas estratégias, como a camuflagem, acabam tendo desvantagem seletiva. E estamos mudando a natureza muito rápido, colocando mais luz, diminuindo a quantidade de copas de árvores, suprimento a vegetação local. Isso alerta como as mudanças ambientais podem influenciar esse fator.”

Fonte: Link da fonte

[the_ad_group id="566"]

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore